Relatório da ONU acusa autoridades israelenses de genocídio, e governo nega as acusações.
O governo de Israel avança nesta terça-feira (16) com uma operação terrestre para tomar o controle da Cidade de Gaza, a maior da Faixa de Gaza. De acordo com estimativas militares, cerca de 40% do território urbano da cidade já está sob controle israelense.
Segundo uma autoridade militar, Israel aumentará de forma gradual o número de tropas no local. Esses novos efetivos se juntarão às forças que já atuam na região e que avançam em direção ao centro da cidade. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou em publicação nas redes sociais que “Gaza está em chamas”. As Forças Armadas israelenses também declararam nesta terça-feira (16) que os militares estão preparados para continuar as operações pelo tempo que for necessário “para derrotar o Hamas”. A expectativa é que as ações avancem de maneira rápida. A ideia é que 60 mil reservistas se unam às tropas já posicionadas.
A ofensiva se intensificou após a visita do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, a Israel. Ele também esteve em Doha, no Catar, em busca de um apaziguamento diplomático após os ataques israelenses que têm como alvo integrantes do Hamas.
Relatório da ONU acusa Israel de genocídio
A operação ocorre no mesmo dia em que uma Comissão da ONU concluiu que Israel cometeu genocídio no enclave palestino. As autoridades internacionais também apontaram que altas lideranças israelenses, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, incitaram esses atos. Israel rejeitou e classificou as acusações como “escandalosas”.
O relatório da Comissão de Inquérito sobre os Territórios Palestinos Ocupados, divulgado nesta terça-feira (16), destaca casos de assassinatos, bloqueios de ajuda, deslocamentos forçados e a destruição de uma clínica de fertilidade. Segundo o organismo, esses elementos sustentam a caracterização de genocídio, já defendida por grupos de direitos humanos e outras entidades.
“A responsabilidade por esses crimes de atrocidade recai sobre as autoridades israelenses dos mais altos escalões, que orquestraram uma campanha genocida por quase dois anos com a intenção específica de destruir o grupo palestino em Gaza”, declarou Navi Pillay, chefe da Comissão. Em resposta, o embaixador de Israel na ONU em Genebra, Daniel Meron, chamou o relatório de “escandaloso” e “falso”.
Plano para um bairro policial em Gaza
Durante uma cerimônia policial do Ano Novo Judaico, que começa em 21 de setembro, o ministro da Segurança de Israel, Ben Gvir, disse que o governo de Benjamin Netanyahu pretende construir na Cidade de Gaza um “bairro policial luxuoso”. De acordo com o ministro, que integra a ala de extrema-direita do governo, a proposta é erguer um assentamento “com vista para o mar” e um dos “lugares mais bonitos do Oriente Médio”. “Chegou a hora de um assentamento judaico em Gaza”, declarou.
A Cidade de Gaza tem sido um dos principais focos de ataques israelenses nos últimos dias. Diversos prédios e arranha-céus foram derrubados sob a justificativa de que serviriam de esconderijo para integrantes do Hamas. Israel Katz reiterou em suas redes sociais que “um furacão” atingiu a região, após prometer essa ação militar. “Trinta arranha-céus e dezenas de outros alvos terroristas foram atacados e destruídos para interromper a infraestrutura terrorista e abrir caminho para as forças de manobra. Se o Hamas não se render e libertar os reféns, será destruído, assim como Gaza”, afirmou.
Segundo informações do Exército israelense, militantes do Hamas teriam instalado postos de observação e equipamentos de vigilância em prédios, além de dispositivos explosivos, usando essas estruturas para atacar as forças israelenses. O ataque foi executado com munições de precisão e vigilância aérea, segundo as Forças de Defesa de Israel (IDF), com o objetivo de minimizar danos a civis.