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Israel ameaça abrir "portões do inferno" em Gaza caso Hamas não liberte reféns

Declaração de Israel Katz ocorre em meio à ofensiva terrestre e nova denúncia sobre mortes de civis.

22 de Agosto de 2025
Foto: Jack GUEZ / AFP

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou nesta sexta-feira (22), em publicação na rede social X, que os “portões do inferno” serão abertos na Faixa de Gaza caso o Hamas não liberte os reféns israelenses. Segundo ele, a pressão militar continuará “até que eles concordem com as condições de Israel para o fim da guerra, a principal delas a libertação de todos os reféns e seu desarmamento”.

A ameaça acontece após o Exército de Israel iniciar uma ofensiva terrestre contra a Cidade de Gaza, a maior do enclave palestino, que concentra mais de 1 milhão de habitantes. Tropas israelenses já estabeleceram bases nos arredores da região.

Reações internacionais e críticas

Os planos de capturar toda a Cidade de Gaza vêm recebendo críticas da comunidade internacional desde agosto. O secretário-geral da ONU, António Guterres, renovou nesta semana os apelos por um cessar-fogo imediato para evitar “morte e destruição inevitáveis”.

Na quinta-feira (21), o premiê Benjamin Netanyahu declarou à Sky News Austrália que Israel manterá a ofensiva mesmo que o Hamas aceite um acordo de trégua de “última hora”. Ele também criticou a decisão da Austrália de reconhecer o Estado palestino.

Em comunicado, o Hamas acusou Netanyahu de manter uma “guerra brutal contra civis inocentes” e de ignorar propostas de cessar-fogo feitas por mediadores do Egito e do Catar.

Dados sobre civis mortos

Uma investigação conjunta do The Guardian, da +972 Magazine e do portal israelense Local Call revelou que, até maio deste ano, 83% dos mortos em Gaza eram civis, segundo dados internos do serviço de inteligência militar israelense. O número corresponde a cerca de 42 mil pessoas. Apenas 17% dos mortos foram identificados como membros de grupos armados.

O levantamento diverge dos números divulgados na época pelo Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, que contabilizava 53 mil mortos desde o início da guerra.

Crise humanitária e fome

Nesta sexta-feira, a Classificação Integrada de Fases de Segurança Alimentar (IPC), apoiada pela ONU, declarou oficialmente que Gaza enfrenta uma situação de fome em nível 5, o mais grave da escala. O relatório aponta que a tragédia é “causada inteiramente pelo homem” e pode ser revertida com cessar-fogo e maior acesso de ajuda humanitária.

“O tempo para debate e hesitação já passou. A fome está presente e se espalha rapidamente. Qualquer atraso adicional, mesmo que por dias, resultará em uma escalada totalmente inaceitável da mortalidade”, diz o relatório.

O documento enfatiza que a situação é mais crítica no sul e centro de Gaza, onde a maioria da população deslocada se concentra.

Israel, por sua vez, rejeitou as conclusões e classificou o relatório como “falso e tendencioso”.

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