Ministério das Relações Exteriores de Israel nega bloqueio humanitário em Gaza e rejeita propostas; EUA apresentam nova proposta de cessar-fogo com condições controversas.
Após o presidente da França, Emmanuel Macron, instar países europeus a adotarem uma postura coletiva mais firme contra Israel devido à situação humanitária na Faixa de Gaza, o governo israelense respondeu com críticas severas.
Em comunicado publicado nas redes sociais pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel, o país afirmou que “não há bloqueio humanitário” e acusou Macron de promover uma “cruzada contra o Estado judeu”.
Segundo o texto, “Não há bloqueio humanitário. Isso é uma mentira descarada. Mas, em vez de pressionar os terroristas jihadistas, Macron quer recompensá-los com um Estado palestino. Sem dúvida, seu dia nacional será 7 de outubro.”
Em visita a Singapura nesta sexta-feira (30), Macron defendeu que o reconhecimento de um Estado palestino não é apenas um dever moral, mas também “uma exigência política por realismo”. O presidente francês destacou que a França e a Arábia Saudita vão co-presidir uma conferência internacional na ONU, em Nova Iorque, entre os dias 17 e 20 de junho, para discutir uma série de medidas relacionadas ao conflito.
Macron ressaltou o direito de Israel à segurança, a necessidade da desmilitarização do Hamas e a reforma da autoridade palestina.
Além do Ministério das Relações Exteriores, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, também criticou Macron, afirmando: “Esta é uma resposta decisiva às organizações terroristas que estão tentando prejudicar e enfraquecer nosso domínio sobre esta terra — e também é uma mensagem clara para (o presidente francês Emmanuel) Macron e seus associados: eles reconhecerão um estado palestino no papel — mas nós construiremos o estado judeu israelense aqui no terreno.”
Nova proposta de cessar-fogo
Os Estados Unidos apresentaram uma nova proposta de cessar-fogo para a Faixa de Gaza, que já foi aceita por Israel e ainda está sendo avaliada pelo Hamas. O grupo militante, no entanto, criticou o conteúdo e declarou que não pretende encerrar a guerra no momento.
Em entrevista à Reuters, o alto funcionário do Hamas Sami Abu Zuhri afirmou que os termos “ecoam” a posição israelense e não contêm compromissos para pôr fim à guerra, retirar tropas israelenses ou admitir ajuda humanitária, pontos anteriormente exigidos pelo grupo.
O plano, segundo a Reuters, prevê:
• Cessar-fogo de 60 dias em Gaza;
• Libertação inicial de 28 reféns vivos e mortos pelo Hamas;
• Liberação de 1.236 prisioneiros palestinos e restos mortais de 180 palestinos mortos;
• Entrada de ajuda humanitária em Gaza por meio da ONU, Crescente Vermelho e outras organizações.
O documento tem garantias do presidente dos EUA, Donald Trump, além dos mediadores do Egito e Catar.
Israel exige que o Hamas se desarme completamente, seja desmantelado como força militar e liberte todos os 58 reféns ainda mantidos antes de aceitar o fim do conflito.
O governo israelense teme que um cessar-fogo duradouro e a retirada das tropas fortaleçam o Hamas em Gaza, possibilitando a reconstrução de seu arsenal e novos ataques no futuro.
Por sua vez, o Hamas teme que Israel descumpra o acordo, retomando a guerra após o prazo de 60 dias. O grupo militante rejeita a exigência de entrega das armas e exige que Israel retire suas tropas de Gaza e se comprometa a encerrar as hostilidades.
Com informações da Reuters e CBN.