Forças de Defesa intensificam ofensiva terrestre e pedem retirada de civis.
As Forças Armadas de Israel anunciaram nesta quarta-feira (17) a abertura de uma rota adicional, válida por 48 horas, para que palestinos deixem a Cidade de Gaza. O objetivo é acelerar a saída de civis e intensificar a ofensiva terrestre contra milhares de combatentes do Hamas.
Segundo os militares, 40% do território da cidade já está sob controle israelense. Uma autoridade local informou que o número de tropas será ampliado gradualmente, reforçando as forças que avançam em direção ao centro da cidade. A expectativa é de que cerca de 100 mil civis permaneçam no local, e a operação, que pode durar meses, só será suspensa em caso de cessar-fogo.
Muitos moradores, porém, têm medo de sair. “Mesmo se quisermos sair da Cidade de Gaza, há alguma garantia de que poderemos voltar? Será que a guerra vai acabar? É por isso que prefiro morrer aqui, em Sabra, meu bairro”, disse Ahmed, um professor, por telefone.
A escalada militar já resultou em pelo menos 30 mortes em toda a Faixa de Gaza apenas nesta quarta-feira, incluindo 19 na capital, segundo autoridades de saúde locais.
Folhetos e tanques
Em folhetos lançados sobre a cidade, os militares informam que os palestinos podem usar a Salahudin Road para se deslocar ao sul e que o prazo para a saída vai até o meio-dia de sexta-feira (19). “O movimento só deve ocorrer pelas ruas marcadas em amarelo no mapa, como a rota para o trânsito em direção ao sul. Siga as instruções das forças de segurança e os sinais de trânsito”, orienta o comunicado.
Enquanto isso, tanques israelenses avançam em pequenas distâncias a partir de três frentes. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu reforçou que Israel atacará os líderes do Hamas “em qualquer lugar”, mesmo após críticas da comunidade internacional e de seu maior aliado, os Estados Unidos.
Em visita a Doha, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que há “uma janela de tempo muito curta” para um cessar-fogo, mas as perspectivas são consideradas remotas após ataques israelenses a líderes do Hamas no Catar.
Crise humanitária
A nova fase da ofensiva ocorre em uma cidade já devastada desde a guerra iniciada em 2023. Cerca de 1 milhão de palestinos que haviam retornado para suas casas entre as ruínas agora enfrentam fome, falta de água e risco de deslocamento permanente.
A ONU, organizações humanitárias e governos estrangeiros condenaram a operação e alertam para uma catástrofe humanitária, caso a maioria da população seja forçada a se deslocar para campos superlotados no sul da Faixa de Gaza.