Ataque é a primeira resposta direta ao bombardeio norte-americano à usina de Fordow.
O Irã atacou, nesta segunda-feira (23), bases militares dos Estados Unidos localizadas no Catar e no Iraque, em sua primeira resposta direta ao bombardeio norte-americano realizado no sábado (21) contra a usina de Fordow, principal instalação iraniana de enriquecimento de urânio a 60%.
De acordo com a agência estatal iraniana, a operação foi batizada de “Anunciação da Vitória”, e explosões foram ouvidas em Doha, capital do Catar. As Forças Armadas do Irã teriam utilizado dez mísseis contra a base militar norte-americana no Catar e um míssil contra a instalação no Iraque, em uma ação proporcional ao número de bombas usadas pelos Estados Unidos.
A Casa Branca confirmou estar ciente dos ataques. Um alto funcionário do governo Trump informou que os EUA monitoram de perto as ameaças contra suas instalações militares. Já o Catar, que confirmou o ataque, condenou o Irã e declarou que se reserva o direito de responder diretamente, embora tenha informado que não houve vítimas. Em nota, o governo iraniano chamou o Catar de “amigo e fraterno vizinho”.
Antes do ataque, o Catar havia anunciado o fechamento temporário do espaço aéreo, alegando preocupação com a segurança de moradores e visitantes. No Iraque, uma das bases atingidas entrou em estado de alerta máximo, com ordem para que as pessoas buscassem abrigo em bunkers, segundo informações da agência Reuters.
Repercussão internacional e danos em Fordow
O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, afirmou que as crateras observadas na usina de Fordow confirmam o uso de munições de penetração no solo, como declarado pelos EUA. “Ninguém está em condições de avaliar completamente os danos subterrâneos em Fordow. Mas, considerando a carga explosiva e a sensibilidade das centrífugas, são esperados danos muito significativos”, disse Grossi.
Também nesta segunda, as Forças de Defesa de Israel emitiram alertas de evacuação para Teerã, capital iraniana, citando possíveis novos ataques a infraestruturas militares e simbólicas, como o quartel da Guarda Revolucionária, a prisão de presos políticos e o conhecido relógio ‘Destrua Israel’, na Praça da Palestina.
Em meio à escalada, o Ministro das Relações Exteriores do Irã se reuniu em Moscou com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Embora o Kremlin não tenha confirmado qualquer pedido formal de apoio, condenou os ataques dos EUA e afirmou que os Estados Unidos inauguraram uma nova fase de escalada no conflito entre Israel e Irã.