Amazonas

Inverno Amazônico: Oscilações extremas dos rios preocupam moradores e especialistas da região

A variação nos níveis dos rios ameaça tanto o modo de vida tradicional quanto a segurança dessas comunidades

07 de Abril de 2025
Foto: Divulgação

O rio Madeira, em Porto Velho (RO), saiu de um cenário crítico para uma cheia significativa em menos de seis meses. Em outubro de 2024, registrou o menor nível da história, com apenas 19 centímetros de profundidade. Já em abril de 2025, atingiu 16,67 metros, impactando cerca de 9 mil pessoas. A mudança está ligada ao chamado Inverno Amazônico, período de intensas chuvas na região Norte.

Esse fenômeno é causado pela Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), sistema atmosférico que se forma na linha do Equador e intensifica as chuvas no Norte brasileiro. Quanto mais ativa a ZCIT, maior o volume de chuvas nas bacias hidrográficas da região, o que pode levar a enchentes em diversos rios.

Especialistas apontam que oscilações extremas como essas têm se tornado mais frequentes e intensas. O engenheiro hidrólogo Marcos Suassuna, do Serviço Geológico do Brasil, alerta para uma possível aceleração do ciclo hidrológico na Amazônia, o que traria consequências sociais e ambientais preocupantes.

Além do Madeira, o rio Machado também teve elevação rápida, passando de 6,04 metros para 11,34 metros entre o fim de 2024 e o início de 2025. Em Santa Luzia D’Oeste (RO), escolas suspenderam as aulas devido à dificuldade de acesso causada pelos alagamentos.

Outros estados da Amazônia também enfrentam situação crítica. No Acre, o rio Acre transbordou em março, afetando mais de 31 mil pessoas. No Pará, os rios Xingu, Tocantins e Itacaiúnas deixaram comunidades isoladas, e no Amazonas, 23 municípios estão em alerta pelas cheias.

As populações ribeirinhas vivem o reflexo direto das cheias e secas extremas. Moradores relatam dificuldade para se locomover, perdas na agricultura, interrupções nas aulas e até escassez de alimentos. A variação nos níveis dos rios ameaça tanto o modo de vida tradicional quanto a segurança dessas comunidades.

As causas dessas oscilações não estão apenas nos fenômenos climáticos naturais, como El Niño e La Niña, mas também na ação humana. O desmatamento e as queimadas afetam diretamente o regime de chuvas e a capacidade da floresta de regular o clima.

De acordo com a etnoclimatologista Alba Rodrigues, a Amazônia tem emitido mais gases de efeito estufa do que consegue absorver, o que agrava as mudanças climáticas. “A floresta é reguladora do regime das águas. Quando esse sistema se desequilibra, quem sofre é o povo da floresta”, destacou.

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