Saúde

Intoxicação por metanol é diferente do abuso de álcool; entenda os riscos

Especialistas alertam para sinais específicos, perigos irreversíveis e necessidade de atendimento imediato.

30 de Setembro de 2025
Foto: Freepik

Apesar de quimicamente semelhante ao etanol, o álcool presente em bebidas, o metanol é extremamente mais perigoso. Seu metabolismo no corpo humano pode causar danos permanentes ou até levar à morte mesmo em pequenas doses, alertam especialistas.

O etanol, quando ingerido, é transformado em acetaldeído, substância tóxica, mas que o fígado geralmente consegue processar e converter em ácido acético. Os efeitos variam conforme fatores individuais, como idade, peso e saúde hepática. Ainda assim, o consumo excessivo pode gerar dependência, intoxicação, risco de morte e doenças nos rins, fígado e coração.

Já o metanol, embora siga inicialmente o mesmo caminho, é metabolizado em formaldeído e, em seguida, em ácido fórmico. Este processo é muito mais lento e provoca acúmulo no organismo, sobrecarregando o sistema nervoso, principalmente o nervo óptico. Alterações visuais ou até cegueira podem ser sintomas breves, duradouros ou permanentes.

Nos casos mais graves, a intoxicação severa leva ao acúmulo de ácido fórmico no sangue, afetando as mitocôndrias, estruturas responsáveis por produzir energia nas células. Essa falha compromete o funcionamento de todo o corpo, comparada pelos especialistas a uma espécie de “asfixia celular”, de difícil tratamento e potencialmente irreversível.

Segundo a oftalmologista Hanna Flávia Gomes, do CBV-Hospital de Olhos do Distrito Federal, os sintomas começam, em média, entre 12 e 14 horas após a ingestão. Eles incluem dores de cabeça, náuseas, vômitos, dor abdominal, confusão mental, visão turva repentina ou cegueira. “É importante procurar um médico logo, pois o tratamento adequado depende dos exames iniciais e da confirmação no laboratório. Doses a partir de 10 ml já podem causar cegueira”, alerta.

O tratamento pode envolver correção da acidez com bicarbonato, uso de ácido fólico, aplicação de antídotos como etanol venoso ou até hemodiálise em situações graves. Soluções caseiras, no entanto, não são recomendadas, pois tendem a agravar o quadro.

A diferença entre os efeitos do etanol e do metanol é uma das chaves para identificar contaminação em bebidas adulteradas. Enquanto o álcool comum gera desconforto imediato, os sintomas do metanol aparecem horas depois e tendem a se intensificar. O neurocirurgião André Meireles Borba reforça: “Mesmo que você tenha ingerido álcool, se horas depois começar a sentir sintomas diferentes dos habituais, especialmente alterações na visão, deve haver preocupação. Principalmente se, em vez de melhorar, os sintomas piorarem ao longo das horas”.

Os especialistas recomendam que, diante de qualquer suspeita de intoxicação, a pessoa procure imediatamente atendimento em serviços de urgência. Esses locais seguem protocolos específicos para diferenciar tipos de intoxicação e têm acesso a redes de referência capazes de orientar o tratamento rápido e eficaz.

 

Com informações da Agência Brasil*

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