Quarta-Feira, (21 de Outubro de 2026)
Justiça

Interpol oferece apoio nas buscas por irmãos desaparecidos no Maranhão

Ágatha Isabelly e Allan Michael estão desaparecidos há oito meses; cooperação internacional poderá ser usada caso surjam pistas fora do Brasil.

Por: Portal Amz Em Pauta
09 de Setembro de 2026

A Interpol ofereceu apoio às buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desaparecidos há oito meses em Bacabal, no Maranhão. A organização colocou ferramentas de cooperação internacional à disposição do caso, segundo a advogada da família. O apoio não significa que as crianças tenham sido localizadas nem que existam indícios confirmados de que estejam fora do Brasil.

A mãe das crianças, Clarice Cardoso, deve se reunir nesta quarta-feira (9) com representantes do Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal, em São Luís. O encontro deverá esclarecer como os recursos oferecidos pela Interpol poderão ser utilizados nas buscas.

As crianças desapareceram em 4 de janeiro de 2026, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, a cerca de 250 quilômetros de São Luís. Um primo de 8 anos, que também havia desaparecido, foi encontrado com vida três dias depois. Desde então, não foram divulgadas pistas concretas sobre o paradeiro dos irmãos.

“Hoje nós recebemos o apoio. Recebemos o e-mail e o apoio do Núcleo de Cooperação Internacional, colocando as ferramentas da Interpol à nossa disposição para nos ajudar. Até então, durante todo esse período, nós não tínhamos esse apoio”, afirmou Nathaly Moraes, advogada da família.

Segundo ela, a cooperação pode ser utilizada tanto para a localização das crianças quanto para um eventual processo de repatriação. “Essas ferramentas ajudam tanto na busca pelas crianças quanto na repatriação, para trazer as crianças de volta, caso sejam encontradas em outros países. Eles têm essa possibilidade em 197 países. Isso deixou a gente extremamente animado”, disse.

A advogada afirmou que já havia solicitado anteriormente a transferência da investigação da Polícia Civil para a Polícia Federal, diante da possibilidade de tráfico humano. “Quando nós procuramos a Polícia Federal, eu pedi o desvio de competência da Polícia Civil para a Polícia Federal porque eu entendia que podia sim ser tráfico humano. Inicialmente, a Polícia Federal respondeu que era para arquivar o meu pedido porque não havia indícios suficientes de que houvesse tráfico humano, que não seria competência deles”, afirmou.

O apoio da Interpol também não indica que Ágatha e Allan estejam entre as 163 crianças resgatadas recentemente em uma operação nos Estados Unidos. Segundo a advogada, o Consulado Brasileiro acompanha essa situação junto às autoridades americanas.

“Tem um representante do consulado que está fazendo esse acompanhamento presencial lá com as autoridades americanas, e eles disseram que era para a gente aguardar. Está sendo feito o levantamento do reconhecimento de algumas crianças, porque algumas foram desconhecidas”, explicou.

Ao longo dos últimos oito meses, cerca de 2 mil pessoas participaram das buscas na região, entre agentes de segurança e voluntários. Representantes do Congresso Nacional também acompanharam o caso. Em maio, integrantes da Comissão Externa sobre Prevenção e Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil estiveram na comunidade para ouvir familiares e autoridades.

A mãe das crianças afirma que continua acreditando que os filhos serão encontrados. “Mãe nenhuma desiste de filho, né? E eu não vou desistir dos meus filhos. Eu nunca vou perder minha esperança de encontrar os meus filhos vivos. Eu sonho e tenho fé que esse dia vai chegar”, disse.

A Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão informou que as investigações continuam sob segredo de Justiça. Informações que possam ajudar na localização das crianças podem ser repassadas pelo telefone 190, da Polícia Militar, ou pelo 181, do Disque-Denúncia, sem necessidade de identificação.

A SSP-MA também alertou para a circulação de informações falsas nas redes sociais sobre o caso. Segundo o órgão, conteúdos sem confirmação podem prejudicar as investigações e aumentar o sofrimento da família.

 

Com informações do G1*

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