A pesquisa atribui essa desaceleração ao cenário de juros e inflação elevados, que impactam diretamente o poder de compra das famílias
Os brasileiros demonstraram menor propensão ao consumo em abril, conforme aponta a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) registrou queda de 0,4% em relação a março, ajustada sazonalmente, alcançando 101,6 pontos. Apesar da retração, o índice permanece na zona considerada de satisfação, acima dos 100 pontos.
Essa é a terceira queda mensal consecutiva do indicador, que também apresentou retração de 1,6% em relação a abril do ano passado a sétima diminuição anual seguida. A CNC atribui essa desaceleração ao cenário de juros e inflação elevados, que impactam diretamente o poder de compra das famílias e dificultam o acesso ao crédito.
Dos sete componentes avaliados no índice, apenas dois apresentaram recuo entre março e abril: “renda atual”, com queda de 1,8%, atingindo 121 pontos, e “perspectiva de consumo”, que caiu 0,8%, chegando a 102,2 pontos. Os demais componentes registraram leves altas, com destaque para “emprego atual” (+0,3%) e “nível de consumo atual” (+0,4%).
As famílias de maior renda foram as mais impactadas na comparação mensal. Entre aquelas com ganhos superiores a 10 salários mínimos, a ICF caiu 0,8%, ainda mantendo um nível elevado de otimismo (115,1 pontos). Já entre os lares com renda inferior, a queda foi menor, de 0,3%, levando o índice para 98,8 pontos, abaixo da linha de satisfação.
Para o economista-chefe da CNC, Felipe Tavares, o recuo da intenção de consumo nas faixas mais altas de renda mostra uma perda de fôlego no consumo de bens duráveis. Por outro lado, ele destaca que as famílias de menor renda demonstram alguma resiliência, reforçando a importância de políticas públicas voltadas à manutenção do consumo básico.
Segundo a CNC, o cenário ainda inspira cautela para os próximos meses. A combinação de crédito restrito e inflação persistente deve manter o ritmo de consumo abaixo do esperado, exigindo atenção às medidas de estímulo econômico que priorizem os grupos mais vulneráveis.