Saúde

Inteligência artificial acelera diagnóstico do AVC e amplia precisão em emergências médicas

Hospitais brasileiros já utilizam algoritmos para identificar sinais da doença e orientar decisões clínicas.

24 de Novembro de 2025
Foto: Reprodução

O acidente vascular cerebral (AVC) segue como uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil e no mundo, tornando o diagnóstico rápido essencial para reduzir sequelas graves. Nesse cenário, ferramentas de inteligência artificial (IA) têm ganhado espaço nos serviços de saúde, auxiliando equipes médicas a reconhecer precocemente sinais da doença em exames de imagem.

A tecnologia já faz parte da rotina de hospitais brasileiros, onde algoritmos treinados com milhares de tomografias e ressonâncias são capazes de identificar padrões que indicam coágulos ou sangramentos no cérebro. Ao analisar automaticamente os exames, a IA ajuda a acelerar a interpretação médica e contribui para que o tratamento seja iniciado o mais rápido possível.

Segundo Sheila Martins, presidente da Rede Brasil AVC, os sistemas conseguem detectar sinais muito sutis que, em uma tomografia inicial, aparecem apenas como variações de tons de cinza. “A IA apresenta o resultado em mapas coloridos que indicam exatamente onde está o AVC isquêmico e diferencia o tecido que já morreu daquele que ainda pode ser salvo”, explica.

Os softwares também podem emitir alertas em tempo real para equipes de plantão quando identificam alterações suspeitas. Essa agilidade reduz o tempo entre a chegada do paciente ao hospital e o início do tratamento, especialmente em unidades que não contam com neurologistas especializados durante todo o dia.

Martins destaca que a IA amplia a janela terapêutica ao permitir que o médico avalie a condição individual de cada cérebro. “A tecnologia torna a decisão menos dependente do relógio e mais baseada no que ainda pode ser preservado”, afirma. Apesar disso, ela reforça que a IA é apenas uma ferramenta de apoio e não substitui o julgamento médico.

Além do diagnóstico emergencial, estudos também têm explorado o uso da IA na prevenção do AVC. Sistemas capazes de cruzar histórico clínico, exames laboratoriais e hábitos de vida ajudam a identificar pacientes com maior risco de sofrer a doença, permitindo intervenções antecipadas.

Aplicativos como o “riscômetro de AVC” possibilitam que usuários calculem suas chances de ter um derrame em cinco ou dez anos e acompanhem mudanças conforme adotam hábitos mais saudáveis. Essas plataformas podem ainda enviar lembretes para medicação, exercícios e consultas, funcionando como apoio contínuo ao tratamento.

Apesar dos avanços, especialistas alertam para desafios importantes, como custos elevados, desigualdade de acesso e a necessidade de validação constante dos algoritmos. Como ressalta Martins, “a decisão final sempre será médica, porque há situações em que a IA não detecta toda a extensão da lesão. Cabe ao médico comparar a tomografia simples com o resultado do software para definir o tratamento mais seguro e eficaz.”

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