Amazonas

Infovia começa a ser instalada no Rio Madeira para ampliar conectividade

Rede de fibra óptica subaquática beneficiará cerca de 700 mil pessoas no Amazonas e Rondônia.

Por: Portal Amz em Pauta
22 de Julho de 2026
Foto: Jadson Lima / G1 AM

A implantação da Infovia 5 teve início no Rio Madeira e vai ampliar a infraestrutura de internet em municípios do Amazonas e de Rondônia. A rede de fibra óptica subaquática começou a ser instalada na segunda-feira (21) e integra o programa Norte Conectado, do Ministério das Comunicações. A expectativa é beneficiar mais de 700 mil pessoas em nove municípios dos dois estados.

O projeto prevê a instalação de 1.116 quilômetros de cabos de fibra óptica no leito do Rio Madeira, ligando Autazes (AM) a Porto Velho (RO), além de outros 210 quilômetros de rede terrestre. A estrutura foi planejada para ampliar a conectividade em áreas da Amazônia onde o acesso à internet ainda é limitado.

Segundo o Ministério das Comunicações, a nova infraestrutura permitirá a conexão de órgãos públicos, como hospitais, escolas, unidades do Judiciário e das Forças Armadas. Além disso, provedores privados poderão utilizar a rede para expandir a oferta de internet à população. O serviço não será gratuito, pois será operado por um consórcio de empresas selecionadas por meio de chamamento público.

O coordenador-geral de Projetos de Infraestrutura do Ministério das Comunicações, Ângelo Lorenzo, explicou que a operação será compartilhada entre empresas habilitadas no processo de seleção.

“Um projeto dessa magnitude não funciona se a gente não tiver uma estrutura bem pensada para operação e manutenção. Forma-se um consórcio que vai operar essas infovias. É um chamamento público. As empresas interessadas se cadastram nesse chamamento e formam um consórcio que vai ter entre três e 12 empresas. Esse consórcio terá um líder, que será a principal ponte de comunicação para garantir a operação e manutenção em nome do consórcio”, afirmou.

De acordo com o ministério, metade da capacidade da rede será destinada ao atendimento de órgãos públicos, enquanto a outra metade ficará disponível para exploração comercial pelos provedores de internet.

“Essa infraestrutura foi desenhada para que metade da capacidade dela seja utilizada pelo consórcio, para exploração comercial, e a outra metade seja utilizada pelo poder público, para interligar escolas, hospitais, Forças Armadas e outros órgãos públicos”, disse Ângelo Lorenzo.

A primeira etapa da implantação ocorre entre os municípios de Autazes e Manicoré e deve durar entre 19 e 20 dias. Os cabos estão sendo lançados por uma balsa-plataforma adaptada para a operação, após estudos técnicos que mapearam a profundidade do rio, o tipo de solo, formações rochosas e áreas sujeitas à seca para reduzir riscos à infraestrutura.

A Entidade Administradora da Faixa (EAF), responsável pela execução do projeto, estima investimentos entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões. Segundo a CEO da entidade, Gina Marques, os cabos possuem 24 pares de fibras ópticas, mas apenas um será utilizado inicialmente, permitindo futuras ampliações da capacidade da rede.

Um dos principais desafios da obra é a intensa navegação no Rio Madeira e a realização de dragagens para manter a hidrovia em funcionamento. De acordo com o diretor de Operações da EAF, Geraldo Segatto, a presença de garimpos ilegais também representa um fator de risco para a infraestrutura.

"O Rio Madeira é um rio muito diferenciado e um dos mais complexos de todas as infovias que a gente está fazendo pelo nível de navegação intensa. E outra preocupação nossa é que isso é bem complexo porque não dá para a gente prever", afirmou.

Para aumentar a segurança da rede, os cabos serão enterrados nos trechos considerados mais críticos entre Manicoré e Porto Velho. Já no trecho entre Autazes e Manicoré, eles serão acomodados sobre o leito do rio. Todo o percurso será georreferenciado e compartilhado com a Marinha e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), permitindo que futuras dragagens sejam planejadas sem comprometer a estrutura.

Após a conclusão do lançamento dos cabos, serão instalados os Centros Móveis de Alta Disponibilidade (CMADs), responsáveis pelo funcionamento da rede. As unidades utilizarão energia solar e baterias para garantir a continuidade da operação mesmo em caso de interrupções no fornecimento de energia elétrica.

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