Comentários sobre apresentação do grupo na Copa do Mundo desencadearam onda de críticas, vazamento de dados e investigação sobre crimes cibernéticos.
A influenciadora brasileira Pietra Bertolazzi se tornou o centro de uma das maiores polêmicas das redes sociais nesta semana após publicar críticas ao grupo sul-coreano BTS. O episódio começou depois da apresentação da banda na cerimônia de encerramento da Copa do Mundo de 2026 e evoluiu para uma série de ataques virtuais, vazamento de dados pessoais e até o acionamento da Polícia Civil de São Paulo.
A controvérsia teve início no último domingo (19), quando Pietra publicou uma mensagem afirmando que ficou "chocada" ao descobrir que um grupo de homens "afeminados", "vaidosos" e "cheios de caras e bocas" era uma das principais referências da geração atual. A publicação, apagada pouco depois, repercutiu rapidamente e foi interpretada por milhares de internautas e fãs do BTS como homofóbica e xenofóbica.
A reação foi imediata. O fã-clube brasileiro B-Army 360 divulgou uma nota de repúdio, afirmando que reduzir pessoas à aparência ou à forma de se vestir reforça estigmas e preconceitos. Nas redes sociais, a mobilização ganhou força e levou o nome da influenciadora aos assuntos mais comentados do país.
Com a repercussão, internautas passaram a compartilhar supostos dados pessoais da influenciadora. Também surgiram relatos de inscrições indevidas como mesária voluntária nas eleições, pedidos de filiação partidária, criação de cadastros em diferentes serviços e abertura de perfis falsos utilizando seu nome. Parte dessas ações foi divulgada pelos próprios usuários nas redes sociais, embora nem todas tenham confirmação independente de que tenham sido efetivadas.
Diante da escalada dos ataques, Pietra restringiu o acesso aos seus perfis e anunciou uma pausa por tempo indeterminado nas redes sociais. Além da polêmica envolvendo o BTS, antigos vídeos e entrevistas da influenciadora voltaram a circular, resgatando declarações anteriores sobre feminismo, voto feminino e outros temas que já haviam provocado debates públicos.
Nesta sexta-feira (24), a influenciadora voltou a se pronunciar por meio de uma nota oficial. Ela afirmou que passou a ser alvo de ataques coordenados após manifestar sua opinião e classificou parte das ações sofridas como atuação de uma "organização criminosa". Pietra disse ainda que reuniu provas e encaminhou o material para a Delegacia de Crimes Cibernéticos de São Paulo, que, segundo ela, acompanha o caso. Até o momento, a Polícia Civil não divulgou detalhes públicos sobre a investigação.
Na mesma manifestação, Pietra negou ter praticado homofobia ou xenofobia. Segundo ela, sua crítica foi direcionada ao modelo estético promovido pela indústria do entretenimento e não à nacionalidade ou à orientação sexual dos integrantes do BTS. A justificativa, porém, não encerrou a controvérsia, e as críticas continuaram nas redes sociais.
O caso também ganhou repercussão política. A primeira-dama Janja publicou um vídeo utilizando uma música do BTS ao comentar a visita do presidente da Coreia do Sul ao Brasil. Embora não tenha citado a influenciadora, a publicação foi interpretada por muitos internautas como uma resposta indireta à polêmica.
Até esta sexta-feira (24), não havia manifestação oficial do BTS ou da gravadora BigHit Music sobre o episódio. Também não há registro de denúncia criminal contra Pietra em razão das declarações sobre o grupo. O foco das investigações mencionadas pela influenciadora está relacionado aos supostos crimes cibernéticos praticados após a repercussão do caso.