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Influenciador suspeito de desviar R$ 146 milhões é preso na Argentina

Gabriel Spalone foi incluído na Difusão Vermelha da Interpol e será extraditado

28 de Setembro de 2025
Foto: Divulgação

O influenciador e empresário Gabriel Spalone, suspeito de participar de um esquema de desvio de R$ 146 milhões via PIX, foi preso na noite do última sábado (27) ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Buenos Aires, na Argentina. A prisão ocorreu após seu nome ser incluído na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo que permite a captura de foragidos em mais de 190 países.

Considerado foragido no Brasil desde terça-feira (23), Gabriel Spalone havia deixado o país na sexta-feira (26) com destino a Dubai. Durante o trajeto, ele passou pelo Paraguai e seguiu para o Panamá, onde chegou a ser detido, mas acabou liberado porque, naquele momento, não constava na lista de procurados da Interpol.

Segundo a Polícia Federal, a inclusão do nome de Gabriel na Difusão Vermelha foi resultado de uma ação conjunta com a Polícia Civil de São Paulo. O objetivo foi impedir que o influenciador prosseguisse a viagem e garantir que fosse capturado em algum ponto de escala internacional, o que acabou ocorrendo na capital argentina.

Durante sua passagem pelo Panamá, Gabriel mudou o plano de viagem várias vezes. Ele chegou a comprar passagem para Nova York, mas desistiu da conexão e adquiriu uma nova para a Holanda. Foi enquanto tentava embarcar nesse novo destino que acabou detido pela primeira vez. Liberado por não constar na lista internacional, seguiu para Buenos Aires, onde foi finalmente preso.

A defesa do influenciador, representada pelo advogado Eduardo Maurício, classificou a primeira prisão como ilegal e abusiva. Em nota, o advogado informou que já apresentou provas de inocência, pediu a revogação da prisão no Brasil e ingressou com denúncia na Corte Interamericana de Direitos Humanos. Também solicitou a exclusão do cliente da Difusão Vermelha para que possa responder ao processo em liberdade.

Policiais cumprem mandados de busca e apreensão de carros e entram em imóveis de investigados no esquema de fraude com o PIX em São Paulo (Foto: Reprodução/Divulgação) 

O advogado afirmou ainda que acompanhará o processo de extradição na Argentina e, se necessário, entrará com habeas corpus no Brasil. Segundo ele, a prisão em Buenos Aires foi a primeira realizada com a inclusão “correta” do nome de Spalone na lista da Interpol, reforçando que seguirá todas as instâncias jurídicas para garantir o direito de defesa.

A investigação contra Gabriel Spalone é conduzida pela Delegacia de Crimes Cibernéticos da Polícia Civil de São Paulo. Segundo as autoridades, o influenciador é apontado como o principal articulador de um esquema que desviou R$ 146 milhões por meio de transferências ilegais via PIX indireto. Outras duas pessoas, Guilherme Sateles Coelho e Jesse Mariano da Silva, já foram presas e teriam se beneficiado em quase R$ 75 milhões.

O esquema, de acordo com a polícia, utilizava empresas de fachada ligadas a Gabriel, que ofereciam serviços financeiros digitais, como câmbio, criptomoedas e pagamentos, sem autorização do Banco Central. Em fevereiro, essas empresas fizeram mais de 600 transferências ilegais em menos de cinco horas, de dez contas de um único banco, movimentando R$ 146 milhões. O banco conseguiu recuperar R$ 100 milhões.

A prática conhecida como PIX indireto, usada na fraude, é proibida desde janeiro, quando o Banco Central endureceu as regras para fintechs e empresas de pagamentos. O método permitia que empresas sem autorização realizassem transações usando instituições financeiras intermediárias, facilitando operações ilícitas e dificultando a fiscalização.

Com a prisão de Gabriel Spalone em Buenos Aires, a Polícia Federal aguarda agora os trâmites de extradição para que o influenciador seja transferido ao Brasil. Ele deverá prestar depoimento e responder às acusações na Justiça brasileira, que investiga a dimensão do esquema e a participação de outros envolvidos na fraude milionária.

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