Medidas de contenção e ajuste no arcabouço fiscal buscam equilibrar aumento de gastos obrigatórios e cortes em custeio e investimentos.
O aumento da inflação no fim de 2024 permitirá ao governo federal incorporar um limite adicional de R$ 12,44 bilhões no Orçamento de 2025. Essa margem é essencial para enfrentar as pressões geradas por um aumento de R$ 27,65 bilhões em despesas obrigatórias, como Previdência, reajuste do salário-mínimo e emendas parlamentares. Apesar disso, o espaço extra só será efetivo se houver receitas suficientes para cumprir a meta fiscal, que permite um déficit de até R$ 30,97 bilhões.
Mesmo com a liberação de recursos adicionais, o Executivo deverá cortar R$ 13,25 bilhões em ações de custeio e investimentos públicos para adequar à Lei Orçamentária Anual (LOA), que será votada em fevereiro. Técnicos avaliam que o saldo final pode ser negativo em R$ 815 milhões, caso as receitas esperadas não se concretizem.
Pressões e ajustes no Orçamento
O governo enfrentará desafios para acomodar despesas obrigatórias não previstas inicialmente:
• Reajuste do salário-mínimo: O valor previsto de R$ 1.509 ficou abaixo dos R$ 1.518 que entraram em vigor em janeiro, gerando impacto de R$ 9,5 bilhões.
• Aumento da despesa previdenciária: Alta de R$ 9,5 bilhões registrada em 2024 deverá se repetir neste exercício.
• Emendas parlamentares: O acordo com o Congresso prevê R$ 11,5 bilhões, dos quais R$ 5,75 bilhões pressionarão diretamente o Executivo.
• Auxílio Gás: A política revisada exigirá até R$ 2,9 bilhões adicionais.
Por outro lado, medidas de contenção e ajustes administrativos podem aliviar o impacto:
• Ensino integral: R$ 4,8 bilhões serão financiados pelo Fundeb.
• Desvinculação de receitas: A prorrogação da DRU liberará R$ 3,6 bilhões para uso em outras áreas.
• Flexibilização da Lei Aldir Blanc: Deve poupar R$ 2 bilhões.
• Revisão de benefícios sociais: Estima-se economia de R$ 4 bilhões no Bolsa Família e no BPC.
Receitas e incertezas
A possibilidade de usar o espaço fiscal adicional dependerá da geração de novas receitas. Entretanto, medidas como a maior tributação sobre empresas, que poderia arrecadar R$ 21 bilhões, e a compensação pela desoneração da folha de pagamento ainda enfrentam resistência no Congresso.
Outros fatores de pressão permanecem incertos, como:
• Censo Agropecuário: Estimado em R$ 1 bilhão, está fora da LOA e pode depender de emendas parlamentares.
• Cadastro biométrico: Promete economizar R$ 2 bilhões, mas parte do governo sugere que os ganhos sejam incorporados apenas na execução do Orçamento.
• Pé-de-Meia: O TCU suspendeu o uso de valores parados em outros fundos, e um revés judicial pode gerar mais custos.
Meta fiscal e desafios políticos
A meta de déficit zero continua sendo um objetivo do governo Lula, mas as pressões por despesas obrigatórias e as dificuldades em aprovar medidas de aumento de receita colocam o equilíbrio orçamentário em risco.
Com a retomada dos trabalhos no Congresso em fevereiro, o Executivo enfrentará o desafio de negociar ajustes e garantir espaço para despesas discricionárias, essenciais para contingências ao longo do ano.