Fogo no Pavilhão dos Países foi controlado rapidamente, mas deixou 13 atendidos e reforçou críticas da ONU sobre segurança e infraestrutura do evento
Um incêndio atingiu, na tarde desta quinta-feira (20), o Pavilhão dos Países, localizado na Zona Azul da COP30, em Belém (PA). As chamas começaram pouco depois das 14h, provocando correria e obrigando a evacuação imediata de todas as pessoas no local. Em aproximadamente seis minutos, equipes de emergência controlaram o fogo, mas 13 pessoas precisaram de atendimento médico após inalar fumaça.
A Zona Azul, ou Blue Zone, é o espaço mais estratégico da Conferência do Clima, concentrando salas de negociações, encontros entre ministros e áreas de exposição dos países. É também onde delegações apresentam projetos climáticos e realizam debates e atividades paralelas. Foi justamente em um desses estandes que as chamas começaram interrompendo completamente a programação do dia.
A UNFCCC, entidade da ONU responsável pela conferência, informou que equipes de bombeiros iniciaram uma checagem de segurança em toda a área atingida e que não há previsão de reabertura da Zona Azul antes das 20h. Até lá, os trabalhos oficiais permanecem suspensos. A evacuação foi ordenada minutos após o início do incêndio e ocorreu de forma generalizada em todo o perímetro do pavilhão.
As causas do incidente ainda estão sendo investigadas. Segundo o governador do Pará, Helder Barbalho, duas hipóteses estão sendo consideradas pelas equipes técnicas: uma falha em um gerador ou um curto-circuito em um dos estandes instalados no local. Ambos os cenários teriam potencial para provocar um foco de incêndio rápido, especialmente em áreas com grande quantidade de estruturas temporárias.
O episódio ocorre em meio a críticas recentes da ONU sobre a infraestrutura e a segurança da COP30. Há uma semana, a organização enviou uma carta ao governo brasileiro apontando falhas de monitoramento e contingente insuficiente de segurança. O documento destaca ainda vulnerabilidades como portas sem vigilância, demora na resposta das forças policiais e episódios de tentativa de invasão, que já haviam colocado em alerta a coordenação do evento.
Além das questões de segurança, a ONU também relatou problemas estruturais nos pavilhões, como calor excessivo, falhas de climatização, infiltrações provocadas pelas chuvas e riscos relacionados à presença de água próxima a instalações elétricas. Esses apontamentos haviam sido classificados como críticos pela UNFCCC, reforçando a necessidade de ações imediatas, agora reacendidas após o incêndio desta quinta-feira.
O Pavilhão dos Países, onde o fogo começou, é uma área destinada exclusivamente às exposições oficiais das delegações nacionais e de organizações internacionais. Nele, representantes técnicos, instituições parceiras, observadores e organismos multilaterais, como a ONU e a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), realizam debates, mesas temáticas, painéis e apresentações de projetos ligados à agenda climática.
Embora não seja o espaço onde ocorrem as negociações formais entre os países, o pavilhão funciona como uma vitrine global das ações climáticas de cada delegação e concentra intensa movimentação durante toda a conferência. A paralisação temporária do espaço deve afetar a agenda de diversos países e entidades, ampliando a pressão por respostas sobre as causas do incêndio e as garantias de segurança para os próximos dias de COP30.