Fogo atinge região do Rio Arari, em Itacoatiara, se aproxima de casas e plantações e mobiliza bombeiros, agentes ambientais e moradores.
Um incêndio de grandes proporções já atingiu mais de 200 hectares de vegetação na região do Rio Arari, na zona rural de Itacoatiara, no interior do Amazonas. As chamas chegaram perto de casas, áreas de plantio e locais de criação de gado nas comunidades Livramento e Ebenézer. A fumaça também se espalhou por outras localidades e tem afetado a rotina dos moradores.
Segundo relatos de moradores, os focos começaram há mais de um mês e continuam avançando pela mata. A área atingida equivale a cerca de 140 campos de futebol. Comunidades como Monte Cristo, Santa Tereza e São Sebastião do Boto também participam do combate ao incêndio.
A fumaça muda de direção conforme o vento e chega às casas, caminhos e ao próprio Rio Arari. Moradores relatam dificuldades para respirar, principalmente entre crianças e idosos. “Quando o vento bate para lá, a fumaça vem. Quando ela vem para cá, a fumaça vem também. Todo lado, não tem um lado que não tenha fumaça. A gente fica passando mal", contou a dona de casa Leiliane Ferreira dos Santos.
Outra moradora relatou que crianças pequenas tiveram dificuldades para dormir por causa da fumaça. “As meninas lá em casa têm uma nenê de um mês e uma criança de três anos. Elas não conseguiram dormir por conta da fumaça, não conseguiam respirar direito", relatou a dona de casa Gracinéia Silva.
O combate ocorre em uma região de difícil acesso. Bombeiros, agentes ambientais e voluntários precisam percorrer trechos por terra, mata fechada e embarcações para alcançar as áreas atingidas. Em alguns pontos, a água é retirada dos rios e levada em baldes até as frentes de combate. As equipes também abrem aceiros para tentar impedir o avanço das chamas.
“A dificuldade é logística. O local é de difícil acesso. Nós temos que acessar tanto via fluvial como via terrestre, por dentro da mata", explicou o segundo-tenente do Corpo de Bombeiros Fábio Campos de Menezes. Nesta quarta-feira (23), as equipes atuaram em aproximadamente 120 hectares para tentar conter a propagação do fogo.
Imagens feitas por drones também estão sendo usadas para localizar os pontos mais críticos. “O drone hoje é uma tecnologia que vem para nos auxiliar até mesmo nas tomadas de decisões, para onde a gente deslocar a equipe para ter melhor efetividade no combate ao incêndio", explicou o secretário municipal de Meio Ambiente, Leonardo Rocha.
As chamas também chegaram a uma área de criação de gado. Registros feitos no local mostram animais deixando a região atingida. “Tem o nosso gado aqui no meio", disse o pescador Júlio Sanches Dias Filho.
Moradores suspeitam que parte dos focos tenha começado durante a preparação de áreas para roçado e saído de controle. A estiagem e a vegetação seca favorecem a propagação das chamas. Até o momento, nenhum responsável foi identificado.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente informou que vai investigar a origem das queimadas e tentar identificar eventuais responsáveis. Enquanto isso, moradores seguem preocupados com o avanço do fogo e os efeitos da fumaça sobre a saúde.