Quinta-Feira, (15 de Outubro de 2026)
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Imprensa internacional vê vitória política de Lula após aprovação do fim da 6x1

Jornais estrangeiros destacam impacto da redução da jornada de trabalho e repercussão da medida na disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Por: Portal Amz em Pauta
15 de Outubro de 2026
Foto: Lula Marques / Agência Brasil

A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6x1 no Brasil ganhou destaque na imprensa internacional nesta quinta-feira (15). Veículos de países como Espanha, Argentina, Reino Unido e Estados Unidos classificaram o resultado como uma vitória política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais. A proposta, aprovada pelo Senado na quarta-feira (14), prevê dois dias de descanso remunerado por semana e a redução gradual da jornada de 44 para 40 horas, sem diminuição dos salários.

O jornal espanhol El País destacou que a mudança representa a conquista de um segundo dia de folga para milhões de trabalhadores brasileiros. A publicação também associou a aprovação ao momento político vivido por Lula, que disputa a reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Na Argentina, o Clarín classificou a votação como uma estratégia política do presidente, enquanto o La Nación apontou a proposta como uma das principais apostas do governo antes do segundo turno.

No Reino Unido, o Financial Times ressaltou que a decisão coloca o Brasil em direção a um modelo de jornada semelhante ao adotado em países de renda mais elevada. O jornal também abordou as preocupações de setores empresariais com os possíveis aumentos nos custos de contratação e funcionamento das empresas. Já o The Guardian destacou a dimensão social da mudança, estimando que até 30 milhões de brasileiros poderão ser afetados pelas novas regras.

A imprensa estrangeira também chamou atenção para a origem popular da mobilização contra a escala 6x1. O The Guardian mencionou o movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que ganhou força nas redes sociais e passou a pressionar parlamentares pela redução da jornada. A reivindicação foi posteriormente incorporada à agenda política do governo Lula, ampliando o debate sobre as condições de trabalho no país.

Outro ponto destacado foi a mudança de posicionamento de Flávio Bolsonaro. Inicialmente contrário à proposta, o candidato do PL anunciou apoio à medida poucos dias antes da votação. A agência norte-americana Associated Press (AP) avaliou que aliados do senador deixaram de tentar impedir o avanço da PEC diante da popularidade da iniciativa e do possível impacto eleitoral de uma posição contrária.

A aprovação ocorreu na noite de quarta-feira (14), quando o Senado concluiu a votação com 75 votos favoráveis e apenas um contrário, registrado pelo senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). O resultado demonstrou amplo apoio à proposta, inclusive entre parlamentares que anteriormente apresentavam resistência à mudança na legislação trabalhista.

Pelo texto aprovado, as empresas deverão adotar a escala 5x2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso remunerado, após um prazo de 60 dias contado da promulgação da emenda constitucional. Nessa primeira etapa, a jornada semanal será reduzida de 44 para 42 horas. Após mais 12 meses, o limite passará para 40 horas semanais, completando a transição em 14 meses.

A repercussão internacional evidencia a importância política, econômica e social da decisão brasileira. Além de representar uma possível transformação na rotina de milhões de trabalhadores, a aprovação se tornou um dos principais assuntos da reta final da campanha presidencial. A PEC ainda precisa ser promulgada pelo Congresso Nacional para que os prazos de implementação comecem a valer.

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