Júri reconheceu feminicídio, aborto provocado por terceiros e ocultação de cadáver; crime ocorreu após vítima decidir manter a gravidez.
Victor de Souza Rocha foi condenado a 26 anos e seis meses de prisão pelo assassinato da namorada, Kariny Sevalho de Lima, de 19 anos. O julgamento foi realizado na quinta-feira (17), no Fórum Ministro Enoch Reis, em Manaus. A jovem estava grávida de três meses quando foi morta, em maio de 2023.
Segundo as investigações, Victor não aceitava a gravidez e teria afirmado a pessoas próximas que “não queria ser pai de um filho preto”. Kariny era uma mulher negra e havia decidido seguir com a gestação após conversar com os pais, que apoiaram a decisão.
Os jurados reconheceram quatro qualificadoras no homicídio: motivo torpe, meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio. Também foram reconhecidos os crimes de aborto provocado por terceiros e ocultação de cadáver.
Kariny foi encontrada morta em uma área de mata no dia 26 de maio de 2023. Segundo a polícia, o corpo apresentava rosto desfigurado, sinais de agressões e tortura, além de perfurações provocadas por arma branca.
As investigações apontam que, no dia anterior, Kariny foi à residência de Victor para conversar sobre a gravidez. O acusado teria pressionado a jovem a abortar. Depois de informar aos pais que estava grávida e receber apoio da família, ela voltou à casa do namorado para comunicar que manteria a gestação.
“As investigações apontam que eles tiveram um desentendimento em razão do autor não ter aceitado o posicionamento da vítima, o que o levou a tirar a vida dela”, explicou o delegado Ricardo Cunha na época do crime.
Testemunhas disseram que o casal seguiu junto para uma área de mata próxima à residência do acusado. Pouco tempo depois, Victor teria retornado sozinho e nervoso. Como Kariny não voltou para casa, familiares procuraram o jovem, que afirmou que ela já havia ido embora. O corpo foi localizado no dia seguinte.
Victor foi preso em 21 de novembro de 2023, na comunidade Monte Sinai, no bairro Cidade Nova, Zona Norte de Manaus. “Ele estava na casa de familiares. Desde a época do crime ele não havia sido mais visto, tentamos efetuar a prisão dele por diversas vezes, mas ele estava foragido”, contou o delegado na ocasião.
Durante o julgamento, Victor negou ter matado a jovem e respondeu apenas às perguntas da defesa e dos jurados. Após a condenação, a juíza Danielle Monteiro Fernandes Augusto manteve a prisão e determinou o início imediato do cumprimento da pena, sem direito de recorrer em liberdade.