Conhecido localmente como Al-Shabab, o grupo jihadista intensificou os raptos nos últimos meses, segundo informações do Unicef e de organizações civis que atuam na região.
Crianças estão sendo sequestradas em números alarmantes na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, por um grupo armado ligado ao Estado Islâmico. A denúncia foi feita pela Human Rights Watch (HRW) em relatório publicado nesta semana, que alerta para o crescimento dos ataques e a utilização de menores em diversas atividades, como transporte de bens saqueados, trabalho forçado, casamentos e até combates.
Conhecido localmente como Al-Shabab, o grupo jihadista intensificou os raptos nos últimos meses, segundo informações do Unicef e de organizações civis que atuam na região. Ainda que algumas crianças tenham sido libertadas, muitas seguem desaparecidas e aquelas que retornam enfrentam resistência e dificuldades de reintegração nas comunidades de origem.
“Nos últimos dias, 120 ou mais crianças foram sequestradas”, afirmou Abudo Gafuro, diretor da organização local Kwendeleya, que monitora os ataques e oferece apoio às vítimas.
A HRW entrevistou, entre maio e junho deste ano, nove fontes em Moçambique, incluindo moradores de Cabo Delgado, jornalistas, ativistas e funcionários da ONU. Entre os relatos, estão casos recentes como o ataque ao vilarejo de Mumu, em 23 de janeiro, no distrito de Mocímboa da Praia, em que quatro meninas e três meninos foram levados. Duas crianças foram liberadas durante a retirada do grupo, mas cinco seguem desaparecidas.
Em outro episódio, em março, seis crianças foram capturadas na localidade de Chibau e usadas para transportar produtos saqueados. Quatro delas foram libertadas no dia seguinte. Em maio, outras oito crianças foram sequestradas nas vilas de Ntotwe e Magaia, também em Cabo Delgado.