Sindicalistas pressionam novo premiê Sébastien Lecornu a rever plano orçamentário de 2026.
A França vive nesta quinta-feira (18) a maior greve em anos, com cerca de 800 mil pessoas nas ruas e 250 passeatas programadas em todo o país. Professores, trabalhadores do transporte, médicos, enfermeiros, farmacêuticos e funcionários públicos cruzaram os braços em protesto contra os cortes de gastos previstos para o orçamento de 2026, considerados ameaça a salários, pensões e serviços essenciais.
As manifestações, que afetam trens, ônibus, escolas e voos, foram convocadas para pressionar o novo primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, a rever o plano de ajuste fiscal que herdou do ex-premiê François Bayrou, derrubado pelo Parlamento. Cerca de 80 mil policiais foram mobilizados para conter bloqueios e tumultos.
“Ele vai ter que lidar com a indignação de toda a França”, disse Perrine Mohr, da Confederação Francesa Democrática do Trabalho (CFDT). “Desde que Macron assumiu o poder em 2017, tivemos um governo pró-negócios. O que pedimos é que o futuro governo seja mais pró-trabalhadores e pró-cidadãos.”
Crise política e desconfiança social
O país enfrenta déficit público quase duas vezes maior que o limite de 3% da União Europeia e dívida equivalente a 114% do PIB. Em um ano, quatro primeiros-ministros foram destituídos por impasses sobre as contas públicas. Lecornu, ex-ministro da Defesa, tenta agora apresentar um plano de “ruptura profunda”, mas iniciou o mandato com baixa popularidade.
Entre as medidas mais criticadas está o congelamento de aposentadorias e salários do funcionalismo, além da flexibilização do seguro-desemprego. A proposta de abolir dois feriados nacionais, já descartada pelo novo premiê, provocou forte rejeição e simboliza a tensão entre governo e sindicatos.
Economia sob pressão
A instabilidade política levou a agência Fitch a rebaixar a nota de crédito da França, aumentando a pressão sobre o governo. Para evitar novo voto de desconfiança e possível queda, Lecornu tem poucas semanas para apresentar um orçamento que una um Parlamento fragmentado entre extrema esquerda, extrema direita e centro.
Enquanto isso, o movimento sindical busca manter a mobilização e já fala em novas paralisações caso não haja recuo nas propostas de austeridade.