Trabalhadores da antiga Transwolff cobram direitos trabalhistas e melhorias nos benefícios; Prefeitura aciona operação emergencial para reduzir os transtornos na Zona Sul.
Uma paralisação de motoristas e funcionários da antiga empresa de ônibus Transwolff prejudica cerca de 267 mil passageiros na Zona Sul de São Paulo, na manhã desta segunda-feira (19). O movimento afeta a circulação de veículos do lote D10 e levou a Prefeitura a acionar um plano emergencial para atender 34 linhas. Os trabalhadores reivindicam melhorias nas condições de trabalho, regularização de contribuições previdenciárias e esclarecimentos sobre benefícios trabalhistas.
Desde as primeiras horas da manhã, funcionários se concentraram em frente a uma das garagens da antiga concessionária, em Parelheiros, para protestar contra o que consideram condições precárias de trabalho. Entre as principais reclamações estão os depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), as contribuições ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o vale-alimentação e a assistência médica.
A paralisação provocou dificuldades para passageiros que dependem diariamente do transporte coletivo. No Terminal Varginha, em Parelheiros, o movimento era tranquilo no início da manhã, pois ônibus de outras empresas continuavam circulando. O maior problema estava no deslocamento dos moradores de bairros atendidos pelas linhas paralisadas até o terminal.
Em entrevista à TV Globo, a passageira Marina relatou que precisou pedir ajuda ao filho para conseguir chegar ao terminal. "Atrapalhou porque eu tive que acordar meu filho para me trazer aqui até o terminal. Os pontos lá da minha casa para cá estão todos lotados, cheios de gente. O pessoal não tem como vir e o Uber está cobrando muito caro", relatou.
A passageira também afirmou que foi surpreendida pela interrupção do serviço e só descobriu a paralisação após receber uma ligação de uma amiga. "Não cheguei a ir para o ponto porque minha amiga me ligou e falou: 'Não tem ônibus'. Aí eu acordei meu filho e ele me trouxe. Eu pelo menos fui pega de surpresa", contou. Outra usuária, identificada como Patrícia, relatou dificuldades para embarcar nos veículos disponibilizados na operação emergencial e demonstrou preocupação com o retorno para casa.
A Transwolff estava sob intervenção municipal desde abril de 2024, após investigações do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil sobre suspeitas de ligação da empresa com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Em dezembro de 2025, a Prefeitura decretou a caducidade dos contratos da concessionária e assumiu a gestão das operações, posteriormente administradas pela SPTrans.
Em nota, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e a SPTrans repudiaram a paralisação, classificada pela administração municipal como ilegal por ter ocorrido sem o aviso prévio de 72 horas exigido para serviços essenciais. Para reduzir os impactos, a Prefeitura acionou o Plano de Atendimento entre Empresas em Situação de Emergência (Paese) e solicitou reforço policial para as duas garagens envolvidas.
A administração municipal também contestou as reclamações dos trabalhadores. Segundo a SPTrans, salários e benefícios estão em dia, enquanto os valores referentes ao FGTS e ao INSS são depositados integralmente em juízo, aguardando decisão judicial. Sobre o plano de saúde, a Prefeitura informou que está em andamento uma licitação para contratar uma empresa responsável pelo serviço. Até a conclusão do processo, os funcionários recebem uma compensação financeira prevista em acordo coletivo.
O Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas) informou que não recebeu comunicação oficial sobre a paralisação. A entidade reafirmou o compromisso com a defesa dos direitos da categoria e destacou a importância do diálogo e da negociação para solucionar conflitos trabalhistas.
A Prefeitura informou ainda que começará, nos próximos dias, a retirada da identificação da antiga Transwolff dos ônibus. A licitação para contratar a empresa responsável pela remoção dos adesivos e pelos serviços de funilaria foi concluída na quinta-feira (15). Segundo a gestão municipal, a mudança já estava prevista e não interfere nos contratos de trabalho nem nos pagamentos dos funcionários.