Falta de interesse em carros silenciosos e cortes orçamentários freiam transição.
O ano de 2025 marcaria uma virada histórica para a Maserati, com o lançamento do MC20 Folgore, seu primeiro modelo totalmente elétrico. O projeto, no entanto, foi cancelado. A decisão veio após um corte de 1,5 bilhão de euros no orçamento, determinado pela Stellantis, grupo que controla a marca. Oficialmente, o motivo foi a queda nas vendas na China, mas a falta de interesse por esportivos elétricos também pesou.
O caso não é isolado. A Ferrari adiou para 2026 o lançamento do seu primeiro modelo elétrico e suspendeu o segundo, que seria produzido em maior escala. O motivo é o mesmo, o público ainda prefere o som dos motores a combustão.
A Lotus também cancelou seu projeto elétrico Type 135 e deve focar em híbridos. Enquanto isso, modelos tradicionais continuam em alta. O Ferrari F80, por exemplo, teve suas 799 unidades vendidas antes mesmo de iniciar a produção. A sueca Koenigsegg, famosa por seus hipercarros, já não consegue atender à fila de bilionários interessados em seus modelos a combustão.
A Porsche segue uma estratégia de equilíbrio. Mantém o lendário 911 a combustão e oferece o elétrico Taycan Turbo GT Weissach, com mais de 1.000 cavalos e aceleração de 0 a 100 km/h em 2,2 segundos.
“O apetite do mercado por carros totalmente elétricos é extremamente baixo. Depois de um tempo, você quer sentir algo, conversar com a fera, ter um diálogo”, disse Christian von Koenigsegg, fundador da marca sueca, ao programa Top Gear.
Apesar da eletrificação ser uma tendência, a cultura do ronco dos motores ainda acelera forte entre os apaixonados por carros de alto desempenho.