30 de agosto de 2026
Manaus

Governo do Amazonas antecipa repasse ao Sinetram e contesta versão sobre greve

Estado afirma ter quitado antecipadamente R$ 3 milhões referentes a agosto e rebate declaração de Givancir Oliveira sobre suposto pagamento assumido pela Prefeitura de Manaus.

Por: Portal Amz em Pauta
21 de Agosto de 2026
Foto: Reprodução

O Governo do Amazonas informou que antecipou, na quarta-feira (19), o pagamento de R$ 3 milhões ao Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram). O valor corresponde à participação estadual no custeio do Passe Livre Estudantil referente ao mês de agosto e, segundo o Executivo, foi repassado para contribuir com a manutenção do transporte coletivo em Manaus.

A transferência foi realizada por meio da Secretaria de Estado de Educação e Desporto (Seduc). Conforme informações divulgadas pelo governo e registros citados do Portal da Transparência, o pagamento consta na ordem bancária nº 20260B0196482. A administração estadual sustenta, por isso, que não havia parcela de agosto pendente relacionada à sua participação no programa.

Antes da confirmação do repasse, o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Givancir Oliveira, havia anunciado a possibilidade de uma greve a partir das 11h de quinta-feira (20), caso as empresas não efetuassem o pagamento dos salários da categoria. A paralisação poderia atingir 70% da frota e, inicialmente, a reivindicação apresentada pelo sindicato estava relacionada ao atraso dos vencimentos dos trabalhadores.

Na manhã seguinte, porém, Givancir anunciou a suspensão do movimento. Em entrevista à Rádio FM do Povo, o sindicalista afirmou que o prefeito de Manaus, Renato Junior, teria se comprometido a resolver a situação e assumir um pagamento que, segundo ele, seria de responsabilidade do Governo do Amazonas. O valor dessa suposta parcela não foi informado pelo dirigente sindical.

A versão apresentada por Givancir foi contestada pelo Governo do Estado. A administração estadual argumentou que os R$ 3 milhões referentes a agosto já haviam sido transferidos ao Sinetram no dia anterior e, portanto, não existiria pendência estadual correspondente à parcela mencionada pelo sindicalista. Outras publicações sobre o episódio registraram versões divergentes envolvendo a origem dos recursos usados para garantir o pagamento dos trabalhadores.

A discussão sobre os repasses já havia provocado embates no mês anterior. Em julho, durante outra paralisação dos rodoviários, o Governo do Amazonas depositou R$ 18 milhões na conta do Sinetram. O montante correspondia a seis parcelas, de fevereiro a julho, calculadas em R$ 3 milhões por mês para o custeio do Passe Livre Estudantil da rede estadual. O depósito foi confirmado em 21 de julho pelo próprio governo.

Na ocasião, o vice-governador Serafim Corrêa anunciou que o Estado efetuaria a transferência e posteriormente confirmou a realização do depósito. A Prefeitura, por sua vez, sustentava que cobrava valores estaduais destinados ao sistema. O episódio revelou uma divergência entre Estado, Município e representantes do transporte sobre a responsabilidade e o cálculo dos repasses destinados à gratuidade estudantil.

A nova ameaça de greve ocorreu em meio a esse cenário de disputa institucional e política sobre o financiamento do transporte coletivo. Enquanto a paralisação dos ônibus urbanos acabou suspensa após a confirmação do pagamento dos trabalhadores, moradores enfrentaram congestionamentos em diferentes pontos da cidade em razão de outra mobilização, envolvendo profissionais do transporte especial que atende trabalhadores do Distrito Industrial. A sucessão de ameaças e paralisações voltou a gerar preocupação entre passageiros que dependem diariamente do transporte público em Manaus.

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