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Governo da Ucrânia propõe cessar-fogo de até 90 dias á Rússia

Ministro diz que país está pronto para negociar se Rússia mostrar disposição real.

30 de Abril de 2025
Foto: Handout / Ukrainian Foreign Ministry press-service / AFP

O governo da Ucrânia propôs nesta quarta-feira (30) um cessar-fogo de 30 a 90 dias com a Rússia, em mais um esforço para avançar nas negociações pela paz. A proposta foi anunciada pelo ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, que afirmou que Kiev está disposta a dialogar em qualquer formato, desde que Moscou demonstre comprometimento real com o processo. 

"A Rússia pode demonstrar sua genuína prontidão para negociações de paz concordando com um cessar-fogo real por pelo menos 30 dias. E se a Rússia está pronta para um cessar-fogo de 60 ou 90 dias, nós também estamos", declarou Sybiha. 

O ministro reiterou que a Ucrânia está aberta a negociações, mas que não aceitará apenas declarações de intenção sem ações concretas. 

"A Rússia deve parar de falar sobre sua prontidão para a paz e começar a agir, concordando incondicionalmente com um cessar-fogo real e duradouro", completou. 

A proposta ucraniana ocorre dois dias após o presidente russo, Vladimir Putin, anunciar um cessar-fogo de três dias, entre 8 e 10 de maio, com o argumento de razões humanitárias e em comemoração ao 80º aniversário do Dia da Vitória sobre o nazismo. O Kremlin pediu que a Ucrânia também aderisse à trégua, mas alertou que, em caso de descumprimento, responderia de forma “adequada e eficaz”. 

Até a última atualização desta reportagem, o governo ucraniano ainda não havia confirmado se participará da trégua, mas reafirmou o desejo de um "cessar-fogo imediato e duradouro". 

Acordo mineral com os EUA 

Além da proposta de cessar-fogo, o governo ucraniano anunciou que deve assinar ainda nesta quarta-feira um acordo com os Estados Unidos para a exploração de recursos minerais. 

"Acho que talvez no final da noite, horário de Kiev, o acordo possa ser assinado", disse uma fonte do governo à agência Reuters. 

A iniciativa reforça a aliança estratégica entre Ucrânia e EUA e visa impulsionar a economia ucraniana em meio ao conflito. 

O novo movimento diplomático ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticar os recentes ataques russos a Kiev e afirmar que Putin tenta prolongar a guerra. No último fim de semana, Trump se encontrou com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, no Vaticano, durante o funeral do papa Francisco. 

A reunião simbolizou uma tentativa de reaproximação após um atrito anterior, quando Trump negociava com a Rússia sem consultar Kiev. Após o encontro, Trump declarou que Zelensky estava "mais calmo" e pediu que Putin "pare com os bombardeios, sente e assine um acordo". 

Impasse territorial segue sem solução 

Apesar das novas propostas, a guerra segue sem previsão de fim. Um dos maiores impasses é a ocupação de cerca de 20% do território ucraniano por tropas russas, incluindo a Crimeia, anexada em 2014. Zelensky exige a devolução total dessas áreas, enquanto Moscou afirma que elas já foram incorporadas à Rússia e não serão devolvidas. 

Trump tem dado sinais de que a Ucrânia pode ter de aceitar as anexações em troca da paz, posição que não encontra apoio público do governo ucraniano. 

 

Com informações da Reuters e G1.

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