COP30

Governador da Califórnia chama ausência dos EUA na COP30 de 'guerra ideológica' e 'aposta na estupidez'

Democrata Gavin Newsom critica postura do governo Trump e diz que atitude é “um desrespeito” ao Brasil e à comunidade internacional.

10 de Novembro de 2025

Governador da Califórnia, Gavin Newsom, participa de Simpósio Global de Investidores do Instituto Milken em São Paulo em 10 de novembro de 2025.

Foto: Divulgação / Gavin Newsom no X

O governador da Califórnia, Gavin Newsom, criticou duramente a ausência de representantes oficiais dos Estados Unidos na COP30, que começou nesta segunda-feira (10) em Belém (PA). O democrata, conhecido opositor do presidente Donald Trump, classificou a decisão do governo americano como uma “guerra ideológica” e uma “aposta na estupidez”, durante discurso no Global Investors’ Symposium São Paulo 2025, evento sobre sustentabilidade e inovação organizado pelo Milken Institute.

“Estou aqui (no Brasil) por conta da ausência de qualquer liderança do governo dos EUA, é um vácuo. É de deixar o queixo caído. Nem um representante, nem um espectador para tomar notas foi levado a Belém. Isso é uma reversão completa do progresso feito pelo governo Biden”, declarou Newsom.

O governador afirmou que o negacionismo ambiental voltou a dominar o discurso político em Washington. “É uma guerra ideológica a nível federal [na questão ambiental]. São interesses, siga o dinheiro. Estamos dobrando a aposta na estupidez nos EUA, mas não no estado da Califórnia”, completou.

Durante o discurso, Newsom também criticou a postura de Trump e afirmou estar “chocado” com o comportamento do governo americano. “Eu tenho 4 filhos, não sei que droga está acontecendo no meu país. Nenhuma pessoa do governo americano para mostrar respeito a vocês. Esqueça a política, é um desrespeito. Estamos no Brasil, um dos nossos maiores parceiros comerciais e uma das grandes democracias do mundo. Tanta terra rara aqui, mas em vez disso dedo do meio com tarifas de 50%. É vergonhoso”, disse o governador, que cumpre agenda no país e deve participar de eventos paralelos da conferência climática em Belém.

Críticas de Trump ao Brasil

As declarações de Newsom ocorreram um dia após o presidente Donald Trump criticar o Brasil em uma publicação nas redes sociais. O republicano afirmou que o governo brasileiro “devastou a floresta do Brasil para construir uma rodovia de quatro pistas para ambientalistas”, referindo-se à Avenida Liberdade, obra que corta uma área de floresta no Pará.

“Devastaram a floresta do Brasil para construir uma rodovia de quatro pistas para ambientalistas. Virou um grande escândalo!”, escreveu Trump.

O governo brasileiro negou qualquer relação da obra com a COP30, e o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), respondeu às críticas com ironia. “(...) no mínimo, (Trump deveria) seguir o exemplo do Governo do Brasil e investir mais de R$ 1 bilhão para salvar florestas no mundo. Ainda dá tempo de passar na COP30, presidente Trump. Esperamos você com um tacacá. É melhor agir do que postar”, publicou Barbalho em resposta.

A ausência dos Estados Unidos na COP30 foi interpretada por líderes internacionais como um retrocesso no engajamento climático americano, especialmente após os avanços obtidos durante o governo Biden. A conferência reúne chefes de Estado, pesquisadores, investidores e lideranças ambientais para debater metas de redução de emissões e estratégias globais de enfrentamento à crise climática.

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