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Funcionários fecham o Louvre em protesto contra superlotação e falta de investimentos

O Louvre já fechou suas portas em raras ocasiões, como durante guerras, ameaças terroristas ou a pandemia.

16 de Junho de 2025
Foto: FMI / Cyril Marcilhacy

Um protesto inesperado dos próprios funcionários fechou as portas do Museu do Louvre nesta segunda-feira (16), escancarando a crise interna do museu mais famoso do mundo. A paralisação, rara na história da instituição, ocorreu em pleno auge da temporada turística em Paris, deixando milhares de visitantes do lado de fora, presos em longas filas sob a pirâmide de vidro. As informações são da Associated Press (AP).

“Está um lamento da Mona Lisa aqui fora”, ironizou o turista americano Kevin Ward, de 62 anos, que aguardava sob o sol com a família. “Milhares de pessoas esperando, nenhuma explicação, nenhuma comunicação. Acho que até ela precisa de um dia de folga.”

A greve começou durante uma reunião interna de rotina, mas rapidamente ganhou força. Agentes de segurança, bilheteiros e atendentes de galeria decidiram cruzar os braços em protesto contra o que chamam de condições “inaceitáveis” de trabalho. Eles denunciam a combinação de turismo em massa, falta crônica de pessoal e infraestrutura deteriorada.

O Louvre já fechou suas portas em raras ocasiões, como durante guerras, ameaças terroristas ou a pandemia. Desta vez, porém, o motivo veio de dentro: a pressão por melhores condições partiu dos próprios trabalhadores.

O protesto ocorre em um momento de crescente rejeição ao turismo desenfreado em diversas cidades europeias. Em Barcelona, por exemplo, ativistas chegaram a borrifar água com pistolas de brinquedo em turistas, em uma ação simbólica para “resfriar” o excesso de visitantes. No Louvre, a pressão é diária: cerca de 20 mil pessoas se amontoam diariamente na sala da Mona Lisa, muitas vezes ignorando outras obras-primas do acervo.

Em janeiro, o presidente Emmanuel Macron lançou o plano “Nova Renascença do Louvre”, com promessa de investimentos de até 800 milhões de euros. Entre as propostas estão a criação de uma nova entrada pelo rio Sena e uma sala exclusiva para a Mona Lisa, com controle rigoroso de horário. “As condições de exibição, explicação e apresentação estarão à altura do que a Mona Lisa merece”, afirmou Macron.

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