Quinta-Feira, (15 de Outubro de 2026)
Manaus

Fumaça diminui em Manaus e capital deixa liderança do ranking de poluição

Após uma semana de ar comprometido pelas queimadas, cidade registra melhora nos indicadores, mas poluição ainda exige atenção da população.

Por: Portal Amz em Pauta
15 de Outubro de 2026
Foto: Lucas Macedo / g1 Amazonas

Após uma semana de intensa fumaça, Manaus apresentou melhora na qualidade do ar na manhã desta quinta-feira (15). A capital amazonense deixou a primeira posição do ranking das cidades mais poluídas do Brasil, segundo dados da plataforma internacional IQAir. Por volta das 6h, o índice de qualidade do ar estava em 85, classificado como “moderado”, colocando a cidade na segunda posição, atrás de Porto Velho (RO), que registrava 101 pontos.

O monitoramento do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), também apontou uma redução na concentração de poluentes. Na maior parte de Manaus, a qualidade do ar foi classificada como “moderada”, enquanto dois bairros ainda apresentavam condições consideradas “ruins”.

Entre os pontos monitorados, o bairro Tarumã, na Zona Oeste, apresentou o melhor resultado, com concentração de partículas de 27 microgramas por metro cúbico (µg/m³). Já o Morro da Liberdade, na Zona Sul, registrou 54 µg/m³, o maior valor entre os locais destacados. Pela classificação do Selva, a qualidade do ar é considerada boa quando a concentração de partículas não ultrapassa 25 µg/m³.

A fumaça que encobriu Manaus nos últimos dias é resultado das queimadas registradas no interior do Amazonas e em estados vizinhos, como Rondônia, Pará e Mato Grosso. Segundo especialistas, as partículas produzidas pelo fogo podem permanecer suspensas na atmosfera por vários dias e percorrer longas distâncias, dependendo das condições dos ventos e da ocorrência de chuvas.

O meteorologista Leonardo Vergasta explicou como ocorre o deslocamento desses poluentes. "A fumaça é feita de partículas muito pequenas e leves, que ficam suspensas no ar por dias e se movem junto com o vento, quase como folhas levadas por um rio invisível", explicou. Segundo ele, a direção predominante dos ventos e a baixa frequência de chuvas durante o período de seca favorecem a permanência da fumaça sobre a cidade.

Apesar da melhora, os efeitos da poluição ainda provocam mudanças na rotina da população. Na quarta-feira (14), a Secretaria de Estado do Desporto e Lazer (Sedel) suspendeu temporariamente atividades esportivas ao ar livre na Vila Olímpica, incluindo os programas Vila Aberta para Todos, + RespirAR, + Futevôlei e +Pelci, além das aulas de corrida e natação para adultos. A medida foi adotada para reduzir a exposição dos participantes à fumaça.

O cenário continua preocupante em outras regiões do Amazonas. Dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) apontam que o estado registrou aproximadamente 1,6 mil focos de incêndio nos primeiros 14 dias de outubro, um crescimento superior a 270% em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram contabilizadas 473 ocorrências.

Diante do avanço das queimadas, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) intensificou as ações de fiscalização e combate ao fogo. O órgão notificou 725 propriedades rurais sobre o risco de propagação das chamas e mantém operações em municípios como Autazes, Careiro da Várzea, Parintins e Itacoatiara. Entre junho e outubro, equipes federais extinguiram 292 incêndios no estado, enquanto outros oito focos permaneciam em combate, conforme balanço divulgado na terça-feira (13).

Embora os indicadores tenham apresentado melhora nesta quinta-feira, Manaus ainda registra níveis de poluição que exigem cuidados. A orientação é acompanhar os boletins de qualidade do ar, evitar exercícios físicos intensos ao ar livre durante períodos de maior concentração de fumaça e redobrar a atenção com crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.

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