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Friedrich Merz é eleito chanceler da Alemanha após derrota inédita no primeiro turno

Conservador conquista maioria no segundo turno e assume comando do país em meio a desafios econômicos e políticos.

06 de Maio de 2025
Foto: Steffen Prossdorf | CC

Friedrich Merz, líder do bloco conservador alemão, foi eleito chanceler nesta terça-feira (6) pelo Parlamento do país, após sofrer uma derrota histórica no primeiro turno de votação. Aos 69 anos, Merz assume o cargo com o desafio de restaurar a liderança da Alemanha em um cenário global conturbado, depois da queda do governo anterior, liderado por Olaf Scholz. 

Na segunda rodada de votação secreta no Bundestag, Merz obteve 325 votos, nove a mais do que os 316 necessários para alcançar a maioria absoluta. Ele havia conquistado apenas 310 votos no primeiro turno, evidenciando a falta de apoio de ao menos 18 parlamentares da coalizão, formada por conservadores (CDU/CSU) e social-democratas (SPD). Essa rejeição inicial foi a primeira do tipo desde o fim da Segunda Guerra Mundial e marcou um início embaraçoso para seu governo. 

Após ser eleito, Merz seguiu para o Palácio Bellevue, onde foi formalmente nomeado chanceler pelo presidente Frank-Walter Steinmeier. Em seguida, retornou ao edifício do Reichstag, em Berlim, para prestar o juramento de posse e tornar-se o 10º chefe de governo alemão desde 1945. 

Sua vitória nas eleições federais de fevereiro e a posterior formação de uma coalizão com o SPD colocaram Merz em posição de liderança. No entanto, a maneira como seu governo começou gerou críticas tanto no cenário interno quanto internacional. 

"As pessoas vêm pedindo à Alemanha que lidere há muito tempo, e não há mais espaço para não atender a esse chamado", afirmou Sudha David-Wilp, do German Marshall Fund dos Estados Unidos. 

A nova coalizão promete estimular o crescimento econômico, com medidas como a redução de impostos corporativos e o barateamento da energia. Também está previsto o aumento dos gastos militares e o apoio firme à Ucrânia. 

O país enfrenta um cenário desafiador: uma guerra comercial em curso, impulsionada pelas tarifas de importação impostas pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump; a interrupção no fornecimento de gás russo desde a invasão da Ucrânia, em 2022; e a intensificação da rivalidade com a China. 

Além disso, Trump tem sinalizado desinteresse em manter o apoio dos EUA à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A possibilidade de um enfraquecimento da aliança ocidental levou até Merz, um defensor tradicional da parceria com Washington, a questionar a confiabilidade americana e a defender que a Europa amplie sua capacidade de defesa. 

Apesar das promessas de governança firme, o início de Merz foi marcado por tensões. Divergências sobre cargos no gabinete, compromissos políticos e a aprovação de um pacote de empréstimos pelo Parlamento anterior contribuíram para o desgaste entre os partidos aliados. 

"Toda a Europa olhou para Berlim hoje na esperança de que a Alemanha se reafirmasse como uma âncora de estabilidade e uma potência pró-europeia", disse Jana Puglierin, do Conselho Europeu de Relações Exteriores. "Essa esperança foi frustrada. Com consequências muito além de nossas fronteiras." 

Analistas apontam que o principal beneficiado com o revés de Merz no primeiro turno foi o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que ficou em segundo lugar nas eleições e tem ganhado força nas pesquisas recentes. 

"A confiança nas instituições políticas está sendo ainda mais prejudicada", afirmou Manfred Guellner, pesquisador da Forsa. 

A popularidade dos partidos da coalizão também tem caído desde fevereiro, especialmente a do bloco conservador, em parte pela decisão de Merz de flexibilizar regras fiscais, contrariando promessas de campanha. 

"A votação fracassada é claramente um sinal de que nem todos na CDU concordam com a reviravolta fiscal", comentou Carsten Brzeski, diretor global do ING Research. 

A falta de experiência administrativa de Merz, que jamais ocupou um cargo no Executivo, e seu estilo considerado errático por críticos, também geram dúvidas sobre sua capacidade de liderar com eficácia. 

"O relacionamento entre os partidos será seriamente prejudicado por causa disso e (isso) exacerbará os conflitos que já estão borbulhando sob a superfície", analisou o cientista político Philipp Koeker, da Universidade de Hanover. 

 

Com informações da Reuters.

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