Ciência e Tecnologia

Fósseis microscópicos revelam impactos do clima nos oceanos

Foraminíferos ajudam cientistas a entender passado e prever futuro marinho.

05 de Junho de 2025

Foraminífero vivo da espécie Globigerinella calida, coletado no sudoeste do Oceano Índico. As longas extensões ao redor da concha são tentáculos usados para locomoção e alimentação.

Foto: Tracy Aze / University of Plymouth / Reprodução

Entre fósseis fragmentados e escassos, um grupo microscópico se destaca: os foraminíferos, organismos unicelulares marinhos com conchas calcárias. Esses fósseis, abundantes no fundo dos oceanos, formam um valioso arquivo geológico que revela como o clima afetou, e ainda pode afetar, a biodiversidade marinha.

“Como os foraminíferos responderam às crises climáticas do passado e, com isso, obter pistas sobre o futuro da biodiversidade marinha”, é uma das principais perguntas que guiam os estudos com esses microfósseis.

Reações às mudanças climáticas

Existentes há 180 milhões de anos, os foraminíferos atravessaram grandes mudanças no planeta. Um dos momentos mais críticos ocorreu há 66 milhões de anos, após a queda do asteroide que extinguiu os dinossauros. “Enquanto as espécies que viviam na superfície dos oceanos sofriam uma extinção em massa, as que habitavam o fundo do mar sobreviveram melhor, alimentando-se de matéria orgânica em preservação.”

Outra crise ocorreu há 56 milhões de anos, durante um aquecimento global de até 5 °C, provavelmente causado por vulcanismo. “Os foraminíferos mais afetados foram os que viviam em águas profundas, já que o excesso de gás carbônico tornou os oceanos mais ácidos e danificou suas conchas.” Já as espécies planctônicas “escaparam do calor migrando para regiões mais frias, um movimento semelhante ao que os cientistas observam hoje.”

Riscos atuais e projeções

Cilindros de sedimentos marinhos coletados por cientistas guardam fósseis que permitem reconstruir temperaturas antigas dos oceanos. A partir dessas análises, pesquisadores preveem que, caso as temperaturas globais subam 6 °C até 2100, a “zona crepuscular” do oceano, entre 200 e 1.000 metros de profundidade, poderá perder até 70% de seu abastecimento alimentar.”

Mesmo em um cenário mais brando, com aquecimento de até 2 °C, a redução pode ultrapassar 20%, afetando peixes, crustáceos e águas-vivas, base da cadeia alimentar marinha.

“Com o aquecimento, os detritos orgânicos que descem da superfície se decompõem mais rapidamente, o que reduz a quantidade de matéria que chega às profundezas.”

Esse impacto já é visível: nos últimos 80 anos, a abundância de foraminíferos caiu cerca de 25%, principalmente em regiões tropicais. Muitos estão migrando para os polos, mas “a velocidade das mudanças atuais pode ser rápida demais para permitir uma adaptação eficaz.”

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