Evento reúne instituições e lideranças para fortalecer atenção aos povos indígenas
A Prefeitura de Manaus realizou, na segunda-feira (4), o Fórum de Saúde Indígena, com o objetivo de discutir desafios e potencialidades na atenção à saúde da população indígena em contexto urbano. O encontro ocorreu no auditório da Escola Superior de Ciências da Saúde da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), no bairro Cachoeirinha, zona Sul da capital.
Promovido pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), o evento reuniu gestores, profissionais de saúde, lideranças indígenas e representantes de instituições públicas e da sociedade civil para debater estratégias de fortalecimento das políticas voltadas aos povos tradicionais.
Durante a abertura, o subsecretário municipal de Gestão da Saúde, Djalma Coelho, destacou iniciativas da Semsa, como a qualificação do cadastro da população indígena, com atuação de agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes indígenas de saúde (AIS), além da capacitação de equipes para aprimorar o acolhimento.
Segundo ele, Manaus se destaca por possuir cargos específicos de agentes indígenas de saúde na rede municipal, sendo a única capital com essa estrutura, e há previsão de ampliação dessas vagas em concurso público.
A presidente da Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime), Marcivana Sateré Mawé, ressaltou que a capital abriga pessoas de 186 etnias e 99 línguas diferentes, e apontou desafios relacionados à invisibilização dessas populações no contexto urbano.
A chefe do Núcleo de Promoção do Respeito à Diversidade da Semsa, Liege Franco de Sá, destacou que o fórum contribui para a construção de uma política municipal específica, considerando que a política nacional nem sempre contempla indígenas não aldeados que vivem nas cidades.
A programação incluiu mesas-redondas e apresentações de experiências práticas, com destaque para relatos de agentes indígenas de saúde sobre o trabalho nas comunidades, além de debates sobre o papel de instituições como Funai, Ministério Público Federal e universidades na garantia do direito à saúde indígena.
O fórum contou com apoio de entidades como a Escola de Saúde Pública de Manaus, Organização Internacional para as Migrações (OIM) e Fiocruz Amazônia, consolidando o diálogo interinstitucional e reforçando a importância de políticas públicas inclusivas e interculturais.