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Fome e doenças matam 95 pessoas em campo de deslocados no Sudão

Autoridades alertam para colapso humanitário e risco de desastre sanitário em Darfur.

29 de Setembro de 2025
Foto: REUTERS / Mahamet Ramdane

Setenta e três crianças e 22 adultos morreram por fome e doenças nos últimos 40 dias no campo de deslocados de Abú Shuk, próximo a Al-Fashir, capital de Darfur do Norte, no Sudão. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (29) pela célula de emergência local, que relatou a contínua deterioração da situação humanitária e de segurança.

Em comunicado publicado no Facebook, a entidade informou que “mais de oito vidas por dia” são perdidas nas condições atuais. O texto denuncia “ausência quase total de serviços básicos, principalmente água e comida, especialmente para famílias deslocadas que não têm acesso às cozinhas comunitárias, que deixaram de funcionar devido à falta de financiamento”.

A célula de emergência também alertou para um “iminente desastre sanitário e ambiental devido aos corpos espalhados em bairros e ruas que não podem ser enterrados pela situação de segurança, provocando maus odores que se difundem por toda a cidade”. Segundo a nota, “as crianças com menos de 5 anos sofrem de desnutrição severa e os idosos encontram-se em estado crítico” em meio a um “colapso total dos serviços de saúde”.

O documento acrescenta que “nenhum paciente pode receber tratamento e nenhum ferido consegue encontrar assistência médica”, e faz um apelo à comunidade internacional e a organizações humanitárias para “criarem urgentemente corredores seguros para deslocar civis desarmados das zonas de conflito, com o objetivo de proteger aqueles que não podem suportar o custo de fugir ou o medo dos perigos existentes nas estradas”.

Enquanto a crise humanitária se agrava, os combates na região continuam. As Forças Armadas sudanesas afirmaram que, no domingo (28), repeliram uma ofensiva das Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês) contra Al-Fashir, causando “grandes perdas” entre os paramilitares “tanto em equipamentos quanto em vidas”. “Os restantes fugiram para fora da cidade, deixando para trás os seus mortos e feridos”, informou o Exército.

As Forças Armadas acusaram ainda a RSF de, “como é habitual após cada derrota, atacar civis em bairros residenciais com artilharia, deixando dezenas de feridos, incluindo mulheres e crianças”. Não foi informado o número exato de vítimas ou se houve mortes nesses ataques.

De acordo com o portal Sudan Tribune, o Exército conseguiu enviar, nesta segunda-feira, suprimentos para sua principal base em Al-Fashir pela primeira vez em quase cinco meses, em meio à intensificação dos combates. Até o momento, não houve confirmação oficial das autoridades sudanesas sobre esse envio.

O conflito entre militares sudaneses e a RSF começou em abril de 2023, em Cartum, e se espalhou por todo o país. Desde então, a guerra civil já matou pelo menos 40 mil pessoas e deslocou cerca de 12 milhões, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), aprofundando a crise humanitária no Sudão.



Com informações da Lusa*

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