Oposição critica enredo da Acadêmicos de Niterói e anuncia medidas judiciais.
O desfile da Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí, com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, provocou forte reação de parlamentares da oposição ao governo federal. A apresentação homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e percorreu momentos marcantes de sua trajetória política.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que irá protocolar uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o que chamou de “crimes do PT na Sapucaí”. Em publicação nas redes sociais nesta segunda-feira (16), ele afirmou que o desfile teria sido financiado com recursos públicos e criticou ataques ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Reações da oposição
Além de Flávio, outros nomes da oposição também se manifestaram. O ex-vereador Carlos Bolsonaro compartilhou críticas ao desfile, classificando a apresentação como um “deboche” aos brasileiros. Já o deputado federal Messias Donato (ES) afirmou que irá acionar a Procuradoria-Geral da República para apurar possíveis irregularidades.
O senador Sergio Moro também criticou a homenagem, fazendo comparações com regimes autoritários e mencionando investigações relacionadas ao período em que Lula esteve preso. As declarações ampliaram a repercussão política do desfile.
O enredo na avenida
A narrativa apresentada pela escola percorreu episódios da política recente. A abertura trouxe referências ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e à transição para o governo de Michel Temer, reforçando a visão defendida pelo PT de que houve um golpe parlamentar.
O desfile também fez críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, retratado de forma satírica em alegorias que o representavam como palhaço, inclusive com tornozeleira eletrônica danificada, em referência a episódio ocorrido em 2025.
Alegorias e gestos políticos
Uma das alas apresentou os chamados “neoconservadores em conserva”, com fantasias que faziam alusão a setores críticos ao atual governo, como representantes do agronegócio, defensores da ditadura militar, integrantes da classe alta e evangélicos. A caracterização gerou críticas, inclusive da senadora Damares Alves.
Apesar de orientação interna para evitar manifestações explícitas, integrantes da escola realizaram o gesto do “L” durante o desfile, ampliando a repercussão política da apresentação. O caso deve ganhar novos desdobramentos com as medidas judiciais anunciadas por parlamentares da oposição.