Candidato apresentou exigências envolvendo familiares, aliados de Lula e gastos do governo após desafio feito pelo presidente durante debate eleitoral.
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) apresentou, nesta quarta-feira (21), ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), uma série de condições para autorizar a divulgação de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. A manifestação ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu adversário no segundo turno das eleições de 2026, propor que ambos tornem públicas suas informações financeiras. O documento apresentado pela campanha de Flávio amplia as exigências e inclui pedidos relacionados a familiares, assessores e integrantes do governo federal.
A disputa começou durante o debate presidencial realizado pela Band, no domingo (18), quando Lula desafiou Flávio a abrir seus dados bancários e telefônicos. Na terça-feira (20), o presidente formalizou a proposta ao TSE, oferecendo acesso às informações dos últimos oito anos, incluindo dados da primeira-dama Janja, de seus cinco filhos e de empresas vinculadas à família, desde que o adversário adotasse a mesma medida.
Em resposta, a campanha de Flávio apresentou um documento com exigências adicionais. Entre elas está a divulgação de informações bancárias e telefônicas de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-assessor de Lula, além de registros relacionados a pessoas e empresas que mantiveram vínculos com o presidente. O senador afirmou estar disposto a abrir seus próprios sigilos dos últimos 20 anos, mas condicionou a iniciativa ao atendimento dos pedidos apresentados.
O documento também solicita informações sobre o uso de aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB), registros de gastos e a agenda da primeira-dama Janja. Outro ponto envolve o Instituto Lula e dados relacionados ao banqueiro Daniel Vorcaro, incluindo possíveis encontros com integrantes do governo e registros de acesso ao Palácio do Planalto.
As exigências ainda incluem pedidos de esclarecimento sobre pessoas mencionadas em investigações e suspeitas levantadas pela campanha de Flávio. No entanto, a inclusão desses nomes no documento não representa comprovação de irregularidades. A solicitação foi encaminhada ao ministro André Mendonça, responsável pela relatoria do caso no TSE.
A discussão ganhou repercussão nas redes sociais e na imprensa, especialmente após a exibição de trechos do documento durante a programação do SBT News. Enquanto apoiadores do senador defendem a ampliação das exigências, críticos questionam se as condições apresentadas representam uma disposição efetiva para divulgar as informações pessoais do candidato.
Especialistas em direito eleitoral apontam que a autorização voluntária para divulgação de dados sigilosos não significa que o TSE seja obrigado a realizar uma investigação patrimonial. Além disso, informações protegidas de familiares e terceiros dependem de autorização dos próprios titulares ou de decisão judicial fundamentada.