Após derrota para Lula, senador divulga carta com acusações de fraude eleitoral sem apresentar provas e anuncia que pretende liderar a oposição brasileira dos Estados Unidos.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou, nesta quarta-feira (28), uma carta na qual se declara o "verdadeiro presidente eleito do Brasil", apesar da derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. O documento foi divulgado pelo empresário Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro que vive nos Estados Unidos, país onde o parlamentar desembarcou nesta manhã após deixar o Brasil sem cumprir uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Na declaração, Flávio acusa o processo eleitoral de fraude, mas não apresenta provas que sustentem as alegações.
A carta foi publicada após o senador chegar ao Aeroporto Executivo de Opa-locka, em Miami, acompanhado da esposa e das duas filhas. Logo no início do documento, Flávio afirma: "Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil." Ele também agradece aos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, pelo apoio recebido durante sua saída do país.
Ao contestar o resultado das urnas, Flávio questiona a decisão judicial que prorrogou o horário de votação no segundo turno e acusa o governo federal de utilizar a estrutura pública em benefício da campanha de Lula. O senador sustenta que houve irregularidades capazes de comprometer a eleição, mas não apresenta elementos que comprovem a existência de fraude. O resultado oficial confirmou a reeleição de Lula, que venceu a disputa por uma diferença superior a 4,4 milhões de votos.
O parlamentar também acusa integrantes do Judiciário de perseguição política e afirma que sua saída do Brasil ocorreu para proteger a família. Na carta, ele rejeita a classificação de fuga e declara que pretende continuar sua atuação política no exterior. As acusações contra o STF e o processo eleitoral são afirmações do senador e não constituem fatos comprovados.
A viagem aconteceu após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal. A medida foi adotada no âmbito de uma investigação por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O senador nega irregularidades, mas não cumpriu o prazo estabelecido pela Justiça para apresentar os documentos, que foram posteriormente cancelados pelas autoridades brasileiras.
Segundo informações confirmadas pelas autoridades migratórias argentinas, Flávio e a família atravessaram a fronteira entre Brasil e Argentina na noite de terça-feira (27), pela Ponte Internacional Tancredo Neves, em direção a Puerto Iguazú. De lá, embarcaram em um avião particular que fez escala em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para Miami. O desembarque nos Estados Unidos foi registrado na manhã desta quarta-feira.
No comunicado, Flávio também faz referências a figuras políticas e históricas que atuaram no exílio, entre elas Charles de Gaulle, Rui Barbosa e opositores do governo venezuelano. Ao traçar esses paralelos, o senador tenta apresentar sua permanência nos Estados Unidos como uma estratégia de resistência política, embora as circunstâncias históricas citadas sejam distintas da situação brasileira.
O senador anunciou que pretende liderar a oposição ao governo Lula a partir do exterior e prometeu apresentar, nos próximos dias, uma estratégia de mobilização política. Também fez um apelo a parlamentares e governadores aliados para que mantenham a atuação contra o governo federal. Até o momento, a declaração não altera o resultado oficial das eleições nem confere a Flávio qualquer condição de presidente eleito.
A saída do parlamentar e a divulgação da carta ampliam a repercussão política da derrota eleitoral e levantam questionamentos sobre os próximos desdobramentos da investigação em andamento no STF. A eventual adoção de novas medidas judiciais dependerá de decisões das autoridades competentes. Enquanto isso, Lula permanece como presidente reeleito, e Flávio afirma que continuará se manifestando publicamente dos Estados Unidos.