Candidato atribuiu a integrantes da conferência participação em boato sobre Nossa Senhora Aparecida; CNBB negou envolvimento e cobrou provas.
O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) acusou, neste domingo (27), integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de terem ajudado a disseminar uma informação falsa sobre uma suposta tentativa de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A declaração foi feita durante agenda de campanha em Aracaju, Sergipe. A entidade católica negou qualquer participação e afirmou que acusações sem provas atingem injustamente a instituição.
Durante o evento, Flávio afirmou: “A maior fake news dessa campanha foi essa sobre Nossa Senhora Aparecida, algo que nunca, não existia esse movimento pra tirar ela de ser padroeira do Brasil, jamais existia, não tem projeto, não tem nada. O PT já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news, conseguiu com ajuda de gente dentro da CNBB, infelizmente, essa é a realidade”. Até o momento, ele não apresentou publicamente provas de participação da entidade na criação ou divulgação do boato.
Horas depois, a CNBB divulgou nota oficial afirmando que “não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral”. A conferência também declarou que não integra estruturas político-partidárias e que suas manifestações eleitorais decorrem de princípios como dignidade humana, bem comum, democracia e liberdade de consciência.
Na mesma nota, a entidade acrescentou: “Atribuir à CNBB participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição e não contribui para a serenidade e a responsabilidade que devem caracterizar o processo eleitoral. A mentira não se combate com outra mentira”.
A controvérsia começou após circular a informação de que haveria uma mobilização para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Um projeto sobre o tema chegou a ser apresentado em 2007, mas foi arquivado em 2008. Não há, atualmente, proposta com esse conteúdo em tramitação no Congresso Nacional. Também não há comprovação de uma mobilização organizada de evangélicos ou de participação da campanha de Flávio Bolsonaro nessa iniciativa.
Na sexta-feira (25), o ministro André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a retirada de publicações que associavam Flávio Bolsonaro e sua família à intenção de retirar o título de padroeira. A decisão considerou que as postagens apresentavam como verdadeira uma narrativa sem base probatória.
No domingo, porém, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou os efeitos da decisão de Mendonça e determinou o restabelecimento de uma publicação do humorista Antonio Tabet, além de outros conteúdos retirados no mesmo contexto. Dino fundamentou a decisão na proteção à liberdade de expressão.
O caso ampliou a disputa política e jurídica em torno da circulação de conteúdos eleitorais nas redes sociais. Enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro sustenta que houve disseminação de desinformação contra o candidato, a CNBB rejeita qualquer envolvimento e reafirma compromisso com “a verdade, o diálogo e a paz”.