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Finlândia mantém liderança global da felicidade mesmo enfrentando forte crise econômica

Rede de bem-estar social segue garantindo sensação de segurança e estabilidade ao país.

27 de Novembro de 2025
Foto: Reprodução / Internet

A Finlândia, apesar de enfrentar estagnação econômica, aumento expressivo do desemprego e pressão crescente sobre as contas públicas, manteve pelo oitavo ano consecutivo o título de país mais feliz do mundo, segundo o Relatório Mundial da Felicidade. O contraste entre o cenário econômico adverso e a alta satisfação dos cidadãos tem sido discutido por especialistas, que destacam fatores sociais e institucionais.

A economia finlandesa apresenta dificuldades desde o declínio do setor de telefonia da Nokia, em 2014, que afetou exportações e elevou a vulnerabilidade do país. As sanções impostas à Rússia, por causa da guerra na Ucrânia, reduziram o fluxo de turistas e impactaram o comércio regional. A instabilidade internacional também gerou incertezas sobre tarifas e a competitividade finlandesa.

De acordo com o Banco da Finlândia, o país deve registrar crescimento de apenas 0,3% este ano. O desemprego atingiu 10,3% em outubro, chegando a 22,4% entre jovens de 15 a 24 anos, o maior índice em pelo menos 15 anos. O envelhecimento populacional pressiona ainda mais os gastos sociais, exigindo ajustes no orçamento.

Mesmo diante desse cenário, o país segue no topo do ranking mundial de felicidade. Pesquisadores atribuem o resultado ao sólido modelo de bem-estar social finlandês, que garante acesso amplo a serviços públicos, redes de proteção e baixa desigualdade. Ainda assim, cortes e revisões estão sendo implementados para compensar os custos crescentes.

Entre os cidadãos impactados pela crise está Juho-Pekka Palomaa, 33 anos, que completou mil dias de desemprego e marcou a data realizando um protesto simbólico em frente ao parlamento. Ele relata que o apoio estatal foi essencial para enfrentar o período sem renda e diz ser “grato pela rede de segurança finlandesa”, embora admita frustração após inúmeras tentativas de conseguir emprego.

Palomaa afirma ter participado de 11 entrevistas sem sucesso e critica a redução recente de auxílios, enquanto benefícios de aposentadoria não sofreram alterações. Segundo ele, há uma sensação crescente de impotência entre os desempregados diante da falta de perspectivas de recolocação.

A situação financeira do país chamou atenção da Comissão Europeia, que avalia incluir a Finlândia no Procedimento de Défice Excessivo, já que as projeções indicam que o défice público permanecerá acima do limite de 3% do PIB da União Europeia pelos próximos três anos.

Mesmo assim, o Relatório Mundial da Felicidade aponta que fatores como confiança nas instituições, estabilidade social, serviços públicos acessíveis e baixa desigualdade sustentam o bem-estar da população. Para especialistas, esses pilares explicam como a Finlândia consegue permanecer na liderança global da felicidade, mesmo enfrentando uma das fases econômicas mais desafiadoras da última década.

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