A previsão é que condições neutras persistam entre agosto e outubro, com impacto nos padrões climáticos no Brasil
La Niña é caracterizado por resfriamento das águas do Pacífico Equatorial
A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) anunciou nesta quinta-feira (10) que o fenômeno climático La Niña chegou ao fim. O fenômeno, que caracteriza o resfriamento das águas do Pacífico Equatorial, resultou em um padrão climático alterado em várias regiões do planeta, incluindo o Brasil. Agora, as temperaturas na região central do Pacífico voltaram ao nível de neutralidade, o que deve alterar as condições climáticas nos próximos meses.
O La Niña ocorre quando há um resfriamento de 0,5°C ou mais nas águas do Oceano Pacífico. Ele é um fenômeno cíclico, que acontece a cada três ou cinco anos, e, de acordo com a NOAA, as águas que estavam abaixo da média desde dezembro voltaram a um padrão neutro. A expectativa é que esse padrão neutro se mantenha pelo menos até o verão no Hemisfério Norte, com mais de 50% de chance de persistir entre agosto e outubro de 2025.
Embora o La Niña tenha chegado ao fim, as previsões para o segundo semestre de 2025 ainda são incertas. A probabilidade de um novo evento de La Niña é de 38%, enquanto as chances de um El Niño se formar são de menos de 20%.
Efeitos do fim do La Niña no clima brasileiro
O fim do La Niña deve impactar a distribuição das chuvas no Brasil, que, durante o fenômeno, experimentou padrões climáticos distintos em diversas regiões. Segundo a Climatempo, as condições típicas do La Niña no país incluíam:
• Aumento das chuvas no Norte e Nordeste do Brasil;
• Tempo seco no Centro-Sul, com chuvas mais irregulares;
• Tendência de tempo mais seco no Sul do país;
• Maior frequência de massas de ar frio, com variação térmica no país.
Com o fim do La Niña, o clima no Brasil deve se tornar mais instável e irregular. O Sul, por exemplo, pode experimentar alternância mais frequente entre períodos de chuva e seca, enquanto o Norte e o Nordeste devem começar a sentir uma leve diminuição das chuvas nos próximos meses, conforme os meteorologistas da Climatempo.
La Niña fraco e de curta duração
Em março deste ano, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) já havia previsto que o La Niña deste ciclo seria de fraca intensidade e de curta duração. De acordo com a OMM, as probabilidades de o Pacífico Equatorial retornar à fase neutra entre março e maio de 2025 eram de 60%, com esse índice subindo para 70% entre abril e junho.
Apesar do impacto direto de fenômenos como o La Niña e o El Niño, a OMM também destaca que as mudanças climáticas induzidas pelas atividades humanas têm sido o maior fator de alteração nos padrões climáticos globais. Isso pode ser observado na quebra de recordes históricos de temperatura, como o janeiro de 2025, que foi o mais quente já registrado, mesmo sob as condições fracas do La Niña.
Com as temperaturas da superfície do mar se mantendo acima da média em todos os principais oceanos, a OMM prevê que as temperaturas terrestres também continuem mais altas do que o normal em quase todas as regiões do planeta.
El Niño vs La Niña: Como cada fenômeno impacta o Brasil
O El Niño, que é a fase positiva da Oscilação Sul-El Niño (ENOS), é caracterizado por um aumento das temperaturas no Pacífico, o que influencia diretamente os padrões climáticos no Brasil. Quando o El Niño está em vigor, o calor é mais intenso no verão e o inverno tende a ser menos rigoroso, já que as frentes frias têm mais dificuldades para avançar no território brasileiro. Além disso, o El Niño provoca secas no Norte e Nordeste, e chuvas excessivas no Sul e Sudeste.
Em contraste, o La Niña tende a gerar o oposto. Durante sua ocorrência, o Brasil experimenta um aumento das chuvas no Norte e Nordeste, enquanto o Sul e o Centro-Sul enfrentam secas prolongadas. Apesar de o La Niña ter chegado ao fim, este último inverno foi ainda impactado por seu efeito, principalmente devido à intensidade do fenômeno durante os meses anteriores.
Com o retorno do padrão neutro no Pacífico, os próximos meses prometem um clima mais imprevisível e mudanças nas condições meteorológicas que afetam a agricultura, os recursos hídricos e a vida cotidiana dos brasileiros.