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Filhote de peixe-boi é resgatado debilitado em Alvarães, interior do Amazonas

Animal de três meses recebe cuidados do Instituto Mamirauá após ser encontrado sozinho

13 de Setembro de 2025
Foto: Divulgação

Um filhote de peixe-boi-da-Amazônia (Trichechus inunguis), com cerca de três meses de idade, foi resgatado no município de Alvarães, no interior do Amazonas, após ser encontrado sozinho e debilitado. A ação envolveu o Instituto Mamirauá, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que agora acompanham o processo de recuperação do animal.

O resgate teve início quando o morador Juzimar Araújo avistou o filhote em diferentes pontos da comunidade de Nogueira. Como agente ambiental, ele acionou a Secretaria de Meio Ambiente do município, que passou a monitorar a situação. A principal suspeita é que a mãe do peixe-boi tenha sido vítima de caça, deixando o filhote exposto em uma área de intenso tráfego de embarcações.

Segundo o secretário de Meio Ambiente de Alvarães, Ney Maciel, agentes locais trabalharam para afastar curiosos e orientar as embarcações, evitando riscos até a chegada das equipes especializadas. A mobilização rápida da comunidade foi considerada essencial para garantir a segurança do animal.

Pesquisadores do Instituto Mamirauá e técnicos do ICMBio avaliaram as condições do filhote e constataram que ele estava magro e com acúmulo de gases, possivelmente em decorrência da falta de alimentação adequada por vários dias. O quadro exigiu cuidados imediatos para estabilizar a saúde do animal.

O peixe-boi foi transferido para a base do Instituto Mamirauá, onde permanece em um tanque temporário. Ele recebe alimentação a cada duas horas com uma fórmula especial de leite enriquecida com vitaminas, apresentando sinais de melhora clínica desde a chegada ao centro de reabilitação.

Para Miriam Marmontel, líder do Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos do Instituto Mamirauá, a ação conjunta demonstra a importância da participação popular. Ela destacou que o resgate só foi possível graças à pronta intervenção dos moradores, que protegeram o filhote das embarcações e avisaram as autoridades ambientais.

Renata Alquezar, servidora do ICMBio, reforçou que a ocorrência expõe a ameaça representada pela caça ilegal. Segundo ela, a ausência da mãe provavelmente está ligada a atividades de caça, e poucos filhotes órfãos têm chance de sobrevivência sem uma intervenção desse tipo.

Classificado como vulnerável à extinção pelo ICMBio e pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), o peixe-boi-da-Amazônia necessita de um longo processo de reabilitação antes de ser reintroduzido em seu habitat natural. As instituições envolvidas estudam agora o melhor destino para o animal, priorizando sua saúde e adaptação.

O caso chama a atenção para a importância da preservação da espécie e da fiscalização contra a caça ilegal. As equipes envolvidas esperam que a história sirva de exemplo de cooperação entre comunidade e órgãos ambientais na proteção da fauna amazônica.

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