Evento encerra 7ª edição no Teatro Amazonas com homenagem à memória e à cultura.
O Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte 2025 encerrou sua 7ª edição no último domingo (21) com uma noite de premiação que consagrou os melhores curtas exibidos durante cinco dias de programação. A cerimônia de encerramento, realizada no Teatro Amazonas, também contou com a exibição do longa “A Natureza das Coisas Invisíveis”, de Rafaela Camelo, do Distrito Federal, marcando o encerramento da edição.
Organizado pela Artrupe Produções, formada por Diego Bauer, César Nogueira, Hamyle Nobre e Victor Kaleb, o festival teve parceria do Cine Set e da Itaú Cultural Play, além do apoio da Atelo, Amazonas Shopping e do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa. Em 2025, o evento atraiu um recorde de 832 filmes inscritos para as mostras competitivas Amazônia, Outros Nortes e Olhar Panorâmico, além da mostra não-competitiva Olhinho.
O grande destaque da noite foi o curta paraense “Boiuna”, dirigido por Adriana de Faria, que conquistou cinco prêmios: “Melhor Filme”, “Melhor Atuação”, “Melhor Direção de Fotografia”, “Melhor Som” e o prêmio “ItaúCultural Play”, além de uma Menção Honrosa do Júri Jovem. “Estou muito feliz e me sentindo realizada, principalmente porque vários setores do filme foram premiados. Saio com coragem para realizar mais coisas e continuar fazendo cinema”, celebrou a diretora.
O júri da Mostra Amazônia contou com profissionais de diferentes áreas do audiovisual, como Karla Martins, do Acre, atriz, produtora e contadora de histórias. Para ela, a experiência reforça a importância de reconhecer e difundir a produção amazônica. “É uma honra poder apreciar essa janela tão vasta de tudo que é produzido e perceber o tanto de investimento que tem sido feito no audiovisual e que permite a Amazônia chegar em um outro patamar”, afirmou.
Para o curador Diego Bauer, a presença maciça do público foi um dos grandes trunfos do festival. “Temos uma meta de cada edição superar a anterior. Este ano foi uma evolução notável e chegamos até mesmo em um público que nunca tinha vindo ao Teatro Amazonas para prestigiar o festival, por exemplo”, ressaltou. O evento também conquistou visitantes de outras regiões do país, como Sabrina Nunes, de 29 anos, que viajou do Rio Grande do Sul e se surpreendeu com a programação.
Além da premiação, a edição de 2025 reafirmou a força do festival na difusão do cinema independente. Em seis edições, o Olhar do Norte já alcançou 5.200 pessoas presencialmente e 9.000 on-line, exibindo mais de 220 curtas em quatro mostras, além de promover 14 longas convidados, 15 rodas de conversa, 20 sessões de debate, 14 oficinas formativas e 10 masterclasses.
Com o tema “Ensinanças, Memórias e Existências”, a identidade visual da 7ª edição foi criada pelo ilustrador e designer Yan Bentes. O cartaz trouxe a imagem de três mulheres, avó, mãe e filha, unidas pelas mãos, simbolizando afeto e a transmissão de saberes, em sintonia com a proposta do festival de valorizar histórias e heranças culturais.
Entre os vencedores, além de “Boiuna”, destacaram-se “DaSilva DaSelva” (AM), premiado com Melhor Roteiro e Atuação, “Mucura” (RO), eleito Melhor Filme pelo Júri Jovem, e “Dois Nilos” (RJ), vencedor na mostra Outros Nortes. A diversidade de produções e a força das narrativas regionais e nacionais consolidaram a edição de 2025 como um marco na valorização do cinema amazônico e na formação de novas plateias.