Evento, o maior do gênero na América Latina, começa nesta terça (15) com 280 artistas e técnicos e será palco do lançamento do “Corredor Criativo da Amazônia”
Manaus volta a ser, a partir desta terça-feira (15), o epicentro da ópera na América Latina com o início da 26ª edição do Festival Amazonas de Ópera (FAO). Com programação até o dia 18 de maio, o evento contará com apresentações no icônico Teatro Amazonas e no Centro Cultural Palácio da Justiça, reunindo três óperas, três concertos e dois recitais. A noite de abertura terá início às 19h com a ópera contemporânea “La Vorágine”.
Nesta edição, o FAO marca uma nova fase ao lançar o projeto de cooperação internacional intitulado “Corredor Criativo da Amazônia”, que busca promover o festival globalmente e inseri-lo na agenda de desenvolvimento sustentável da região amazônica. A iniciativa envolve instituições culturais do Brasil, Colômbia, Portugal e Áustria, e será oficialmente apresentada na quarta-feira (16).
Realizado com recursos da Lei Rouanet e patrocínio do Bradesco, com apoio da Innova e Swarovski, o festival é organizado pelo Fundo do Festival em parceria com o Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa.
“O festival Amazonas de Ópera é esperado ansiosamente todos os anos por aqueles que amam esse gênero, mas, sobretudo, vem conquistando mais e mais pessoas. A expectativa é sempre muito alta e eu arrisco a dizer que esse deverá ser ainda mais grandioso. O Governo do Estado sabe da importância do FAO para a agenda cultural do Amazonas e por isso faremos o melhor nesta edição”, afirma o secretário Caio André.
Os ingressos já estão à venda na bilheteria do Teatro Amazonas e também online pelo site shopingressos.com.br. Entre os destaques da programação estão as montagens “La Bohème”, de Puccini, e “As Bodas de Fígaro”, de Mozart, além de concertos como “Oca à la Rossini” e os recitais “Belcanto” e “Canções Brasileiras”.
A ópera de abertura, “La Vorágine”, é baseada em um romance colombiano que retrata o ciclo da borracha e simboliza a entrada da Colômbia como membro oficial do Corredor Criativo. Composta por João Guilherme Ripper, a obra reúne cantores e equipes técnicas do Brasil e da Colômbia.
“Essa ópera marca o início de uma nova fase para o festival. A Colômbia, que já era parceira, agora passa a integrar o Corredor Criativo. Vamos assinar acordos com Portugal, Colômbia e Áustria, impulsionando a cultura, o turismo e a educação em Manaus e na região amazônica”, afirma Flávia Furtado, diretora-executiva do festival.
Segundo a organização, cerca de 280 profissionais – entre técnicos, solistas, coro e orquestra – estão diretamente envolvidos. Mais de 80% desse grupo é formado por manauaras, reforçando o caráter local do projeto. A direção artística é do maestro Luiz Fernando Malheiro.
Inclusão e formação
A programação deste ano inclui também ações de inclusão social, como espetáculos adaptados para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e apresentações voltadas a estudantes da rede pública.
Criado em 1997, o Festival Amazonas de Ópera teve papel crucial na consolidação dos corpos artísticos do estado e no fomento à economia criativa local, impactando diretamente o setor cultural, hoteleiro e gastronômico de Manaus.
Agora, o festival busca reafirmar sua vocação como ferramenta de preservação ambiental, conectando arte, educação e sustentabilidade.
“A gente tem um fundo criado para dar suporte ao festival, cuja história de 25 anos nos habilita para o próximo passo, que é ser reconhecido como grande impulsionador de turismo, cultura e educação para a cidade de Manaus. O ‘Corredor Criativo’ vai envolver o Amazonas e o Pará, que têm os maiores festivais de ópera do país. A gente entende que precisa replicar essa experiência”, declara Flávia Furtado.
Segundo ela, o projeto é feito para e pelos amazonenses. “Precisamos comunicar isso, porque o FAO é um projeto estruturante e sustentável que gera impactos para o meio ambiente e precisa ser incentivado e multiplicado”, destaca.
Futuro do FAO
A proposta do Corredor Criativo busca arrecadar recursos internacionais para ações estruturantes e de formação profissional na região. O objetivo é dividir o ano em duas fases: apresentações no primeiro semestre e capacitação técnica, parcerias e ações educativas no segundo.
Como parte da estratégia de internacionalização, será lançado o Prêmio Carlos Gomes dentro do Concurso de Canto de Cascais, em Portugal. A iniciativa visa divulgar o FAO e a cultura brasileira na comunidade europeia, ampliando a visibilidade da produção operística nacional.
Os interessados em acompanhar a programação e os bastidores do festival podem seguir o perfil oficial no Instagram: @festivalamazonasdeopera.