Amazonas

Famílias cobram justiça por mortes de crianças em hospitais do Amazonas públicos

Casos de Benício Xavier e Pedro Henrique são investigados sob suspeita de negligência médica

14 de Dezembro de 2025
Foto: Reprodução

Familiares de Benício Xavier Freitas e Pedro Henrique Falcão se reuniram na manhã do último sábado (13) em frente ao Hospital Santa Júlia, em Manaus, para cobrar justiça e a responsabilização dos envolvidos nas mortes das duas crianças. O ato reuniu parentes, amigos e apoiadores, que denunciaram possíveis falhas médicas e estruturais no atendimento hospitalar.

O caso de Benício Xavier, de 6 anos, ocorreu na madrugada de 23 de novembro. Segundo a família, o menino morreu após receber doses de adrenalina por via intravenosa, o que teria provocado complicações graves. Os parentes afirmam que houve uma sequência de erros médicos durante o atendimento, culminando na morte da criança.

A médica Juliana Brasil Santos é investigada por prescrever a administração intravenosa da adrenalina. Recentemente, a Justiça do Amazonas anulou o habeas corpus que havia concedido liberdade à profissional, determinando que o pedido seja analisado por um juiz de primeira instância.

Em documentos e mensagens trocadas com outro profissional de saúde, Juliana admitiu o equívoco na prescrição da medicação. A defesa, no entanto, sustenta que a declaração foi feita “no calor do momento”. A técnica de enfermagem Raiza Bentes Paiva, responsável pela aplicação da adrenalina, também é alvo da investigação.

De acordo com o delegado Marcelo Martins, titular do 27º Distrito Integrado de Polícia (DIP), o inquérito apura quatro linhas principais: a responsabilidade da médica, da técnica de enfermagem, possíveis falhas estruturais do hospital e a hipótese de erro durante o procedimento de intubação realizado em Benício.

O segundo caso envolve Pedro Henrique Falcão, de 1 ano e 7 meses, que morreu no dia 11 de novembro durante uma cirurgia de fimose no Hospital Municipal Eraldo Neves Falcão, no município de Presidente Figueiredo. A suspeita é de que o bebê tenha recebido uma dosagem excessiva de anestesia.

A Polícia Civil do Amazonas solicitou a exumação do corpo da criança para esclarecer se houve erro no cálculo da anestesia e falhas na monitoração dos sinais vitais durante o procedimento cirúrgico. Todos os profissionais envolvidos no atendimento deverão prestar depoimento.

Bruno Mello de Freitas e Joyce Xavier, pais de Benício, afirmaram que a mobilização vai além do caso do filho. Segundo eles, a luta é por justiça e por mudanças que garantam segurança no atendimento a todas as crianças que dependem do sistema de saúde no Amazonas.

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