Ministério Público denuncia 20 suspeitos de tráfico, lavagem de dinheiro e domínio territorial armado em sete municípios do estado.
O Ministério Público da Paraíba (MPPB) denunciou à Justiça, nesta sexta-feira (6), 20 pessoas suspeitas de integrar uma facção criminosa responsável por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, extorsão, agiotagem armada e violência contra moradores nas regiões do Agreste e do Brejo paraibano. Segundo as investigações, a organização teria movimentado mais de R$ 34 milhões por meio de empresas de fachada entre 2024 e 2026. O grupo também é acusado de controlar territórios com o uso de armas de fogo e impor punições violentas à população.
As atividades criminosas teriam ocorrido nos municípios de Campina Grande, Esperança, Areia, Montadas, Areial, Pocinhos e São Sebastião de Lagoa de Roça. De acordo com o MPPB, os suspeitos mantinham uma estrutura organizada, com divisão de tarefas e lideranças que continuavam dando ordens mesmo de dentro dos presídios. Entre os 20 denunciados, cinco estão presos em unidades prisionais da Paraíba e um está em uma penitenciária de Minas Gerais.
A investigação revelou que a organização submetia integrantes e moradores a castigos físicos conhecidos como "disciplinas", utilizados para impor regras e manter o controle sobre as comunidades. Segundo os promotores, os responsáveis também determinavam execuções e utilizavam ameaças para impedir a resistência da população. A atuação era dividida em três núcleos operacionais voltados ao tráfico e ao domínio territorial, além de um quarto núcleo responsável pelas movimentações financeiras.
Os investigadores identificaram que a facção utilizava empresas de fachada para movimentar e ocultar recursos provenientes de atividades ilegais. Relatórios de Inteligência Financeira analisados pelo Ministério Público apontaram a circulação de mais de R$ 34 milhões, com transações que teriam sido realizadas para dificultar a identificação da origem do dinheiro. As informações financeiras foram cruzadas com mensagens e outros dados obtidos durante a investigação.
A denúncia é um desdobramento da Operação Cadeia de Comando, que teve como ponto de partida a análise do celular de Naudivânio Ferreira da Silva, conhecido como "Lorinho". Ele era apontado como líder estadual da facção Nova Okaida e morreu em junho, durante um confronto com forças policiais em Pernambuco. A extração dos dados, autorizada judicialmente, permitiu identificar integrantes da organização, relações hierárquicas e ordens que teriam sido transmitidas por lideranças criminosas.
Além da condenação dos suspeitos, o Ministério Público solicitou à Justiça a perda dos bens relacionados às atividades investigadas, incluindo dinheiro, armas, aparelhos celulares e veículos apreendidos. A instituição também pediu a fixação de um valor mínimo para reparação dos danos coletivos causados pela atuação da facção. A denúncia foi apresentada pela promotora Luciara Lima Simeão Moura, da 4ª Promotoria de Justiça de Campina Grande.
O processo tramita sob o número 0828566-21.2026.8.15.0001 e ainda depende de análise judicial para o prosseguimento da ação penal. Caso a denúncia seja recebida, os acusados passarão a responder formalmente ao processo, com direito à defesa e ao contraditório. Até o momento, as acusações apresentadas pelo Ministério Público não representam condenação definitiva.