Confronto ocorreu na Compensa após homenagem ao Comando Vermelho; mortos no Rio eram foragidos do Amazonas
Integrantes da facção Comando Vermelho (CV), em Manaus, tentaram realizar, na noite da última quarta-feira (29), uma homenagem aos criminosos mortos durante a megaoperação no Rio de Janeiro, ocorrida na terça-feira (28). A ação foi registrada na rua São João, no bairro Compensa, Zona Oeste da capital amazonense, e terminou em tumulto após intervenção da Polícia Militar.
De acordo com informações preliminares, os suspeitos chegaram a fechar a via para organizar o ato, o que mobilizou equipes da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam) e do Batalhão de Choque. Imagens feitas por moradores mostram o momento em que diversas viaturas chegam ao local e registram a confusão entre supostos membros da facção e os policiais militares.
Um dos vídeos mostra um policial militar sendo cercado por participantes do ato. Objetos foram arremessados contra o agente, e é possível ouvir sons de tiros durante o tumulto. Após o ataque, a PM reforçou o policiamento na área, mas não há informações sobre feridos ou prisões até o momento.
Horas antes da ocorrência, o Comando Vermelho havia divulgado um comunicado lamentando a morte de integrantes na megaoperação realizada no Rio de Janeiro e anunciando homenagens simultâneas em diferentes estados, incluindo o Amazonas. A mensagem foi compartilhada em redes sociais e grupos de aplicativos de mensagens.
Segundo apuração do g1, quatro foragidos naturais do Amazonas, ligados ao Comando Vermelho, estão entre os mortos na operação no Rio. Os criminosos integravam o baixo escalão da facção e ainda não tiveram as identidades oficialmente divulgadas pelas autoridades fluminenses.
Além dos mortos, a Polícia Civil do Rio confirmou que outros traficantes do Amazonas foram presos durante a megaoperação nas comunidades cariocas. O número exato de detidos e seus nomes ainda não foi informado.
A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) informou que acompanha o caso e mantém cooperação com as forças de segurança do Rio de Janeiro para identificar possíveis conexões entre os grupos criminosos que atuam nos dois estados.
A megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio, deixou 121 mortos, incluindo quatro policiais, segundo balanço divulgado na quarta-feira (29) pelo governo fluminense. A ação, considerada a mais letal da história do estado, mobilizou 2,5 mil agentes civis e militares, resultando em bloqueios de vias, suspensão de aulas em 83 escolas e paralisação de linhas de ônibus. Moradores relataram ter encontrado dezenas de corpos em áreas de mata e levaram parte deles até a Praça São Lucas, na Penha. A Polícia Civil confirmou que 63 corpos foram localizados durante as buscas.