Cultura

Exposição ressignifica imagens racistas e valoriza memória de pretos e indígenas

Mostra do Amazonas estreia em São Luís e propõe reparação histórica por meio da arte.

Por: Portal Amz em Pauta
27 de Marco de 2026
Foto: Reprodução

A exposição Costura de Cores Ancestrais – A Retomada, integrante do projeto Direito à Memória, estreou na quarta-feira (25), no espaço Chão SLZ, em São Luís, com a proposta de recontar histórias de pessoas pretas e indígenas que foram registradas de forma violenta e racista durante a expedição fotográfica Thayer, realizada na Amazônia no século XIX.

Idealizada e dirigida pela artista manauara Keila-Sankofa, a mostra foi contemplada pela PNAB 2024 e surge como resposta à forma como essas populações foram historicamente retratadas, propondo uma releitura que reconstrói identidades apagadas ao longo do tempo.

A iniciativa busca revisar a memória pública e imagética dessas pessoas, trazendo à tona discussões sobre as teorias racistas que sustentaram narrativas de superioridade racial e que, segundo a artista, ainda reverberam no imaginário contemporâneo.

Por meio da intervenção artística, a exposição apresenta novas narrativas que resgatam aspectos como nome, cultura, origem e vínculos sociais dos indivíduos retratados, elementos historicamente silenciados pelo processo colonial.

A proposta utiliza a transmutação da imagem como ferramenta poética para reconstruir essas histórias, permitindo que as figuras antes reduzidas a registros opressivos sejam reposicionadas como sujeitos de identidade e existência.

Com isso, a mostra promove a ressignificação dos personagens retratados, transformando-os em símbolos de resistência e memória, reafirmando sua importância histórica e social dentro da Amazônia.

Antes de chegar ao Maranhão, a exposição já havia passado por espaços em Manaus, como o Largo de São Sebastião, a trilha do Musa no Angelim e o salão do Museu da Amazônia, marcando agora sua primeira circulação fora do estado.

Como parte da programação, será realizado o minicurso Memória interrompida: arquivos coloniais e reparação histórica, nos dias 2 e 3 de abril, das 15h às 18h, com acesso gratuito, reforçando o compromisso do projeto em ampliar o debate sobre memória, identidade e reparação histórica.

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