Domingo, (20 de Setembro de 2026)
Ciência e Tecnologia

Expedição cientí­fica brasileira investiga abismos do Atlântico

O primeiro passo do grupo, que deve chegar na área por volta de 25 de setembro, será mapear o Romanche com uma sonda acústica do navio, por cerca de dois dias. Com este mapa, chega a hora de descer até os paredões e para isso, os cientistas vão usar o SuBastian, um robô operado remotamente (ROV), capaz de mergulhar até 4,5 mil metros de profundidade.

Por: Portal AMZ Em Pauta
20 de Setembro de 2026
Foto: Divulgação

Uma expedição científica partirá neste domingo, 20, de Fortaleza (CE) para mapear e explorar a Zona de Fratura Romanche, uma formação submarina de aproximadamente 1 mil quilômetros de extensão, composta por uma sequência de montanhas e vales, localizada a meio caminho entre a Costa Nordeste do Brasil e Oeste do Continente Africano.

Batizada de The Gap, a iniciativa usará um rover e um submarino autônomo, pilotados a partir do navio de pesquisa Falkor (too). Com eles, irão mapear duas áreas distintas e coletar amostras de rochas e vida em suas paredes, em profundidades de até 4mil e 500 metros.

O grupo investiga a área com ocorrência de um fenômeno conhecido como ressurgência equatorial, que é a elevação de águas mais frias, cheias de nutrientes, para a superfície marinha. Sazonal e provocada principalmente pelos ventos alísios, é comum nas regiões intertropicais e importante pois leva a um aumento nas populações de animais microscópicos, base da cadeia alimentar marinha.

“Nosso principal foco é identificar e mapear a relação da ressurgência com as comunidades profundas, além de estudar a dinâmica das correntes e a morfologia dos habitats de fundo, observando a influência dessa produção de alimentos na superfície sobre esse fundo”, explica o professor José Angel Perez, da Universidade do Vale do Itajaí (Univali).

Para Perez, que lidera a expedição, é importante conhecer estes mecanismos pois 70% da crosta do planeta está em regiões de oceano profundo, mas paradoxalmente é uma região da qual conhecemos menos de 1%. Ao levantar evidências científicas concretas desta riqueza e do impacto da ação humana, os cientistas pretendem subsidiar estudos futuros e mostrar a importância de áreas de preservação. 

Outro ponto ao qual os cientistas estarão atentos são os impactos das mudanças climáticas nestas comunidades, pois os ventos na região tem apresentado alterações e isso influencia toda a cadeia. Somado ao processo de acidificação dos oceanos, ele ameaça importantes reservatórios de vida marinha, como os recifes de corais.

 

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