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Ex-vice-presidente dos EUA Dick Cheney morre aos 84 anos

Figura central no governo George W. Bush, Cheney foi um dos articuladores da guerra do Iraque em 2003.

04 de Novembro de 2025
Foto: Reuters / Tim Dillon / Arquivo

Dick Cheney, ex-vice-presidente dos Estados Unidos e um dos nomes mais influentes da política americana nas últimas décadas, morreu aos 84 anos. A informação foi confirmada por sua família nesta terça-feira (4). Segundo o comunicado, ele faleceu na noite de segunda-feira em decorrência de complicações de pneumonia e de doenças cardíacas e vasculares. 

Cheney foi uma das figuras mais poderosas do governo George W. Bush (2001–2009) e teve papel decisivo na política externa dos Estados Unidos durante o início dos anos 2000. Ele foi um dos principais defensores da invasão do Iraque em 2003, sob a justificativa de que o regime de Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa, informação que nunca foi comprovada. 

Antes de se tornar vice-presidente, Cheney foi congressista por Wyoming e secretário de Defesa durante o governo de George H. W. Bush, além de ter ocupado diversos cargos na administração pública desde a década de 1970. Quando o então governador do Texas, George W. Bush, o escolheu como companheiro de chapa nas eleições de 2000, Cheney já era visto como um estrategista experiente e um dos políticos mais influentes de Washington. 

Durante seus oito anos como vice-presidente, ele defendeu a ampliação dos poderes do Executivo, alegando que a autoridade da Presidência havia sido enfraquecida após o escândalo de Watergate. Também estruturou uma equipe de segurança nacional que operava com autonomia dentro do governo, aumentando significativamente a influência do cargo de vice-presidente. 

Cheney entrou em conflito com membros importantes da administração Bush, como os secretários de Estado Colin Powell e Condoleezza Rice, e apoiou o uso de técnicas de interrogatório “aprimoradas” contra suspeitos de terrorismo, entre elas, o afogamento simulado e a privação de sono. As práticas foram posteriormente classificadas como tortura por organismos internacionais e pelo Senado americano. 

Nos últimos anos, Cheney voltou a ganhar destaque ao lado de sua filha, Liz Cheney, ex-deputada republicana, que rompeu com o presidente Donald Trump após o ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Ele apoiou a decisão da filha de votar pelo impeachment de Trump e declarou publicamente que votaria na democrata Kamala Harris nas eleições de 2024. 

“Nos 248 anos de história de nossa nação, nunca houve um indivíduo que fosse uma ameaça maior à nossa República do que Donald Trump”, afirmou Cheney em uma de suas últimas declarações públicas. 

O ex-vice-presidente conviveu por décadas com problemas cardíacos, tendo sofrido o primeiro de uma série de infartos aos 37 anos. Em 2012, passou por um transplante de coração. Sua morte encerra a trajetória de um dos personagens mais influentes, e controversos, da política contemporânea dos Estados Unidos. 

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