Figura central no governo George W. Bush, Cheney foi um dos articuladores da guerra do Iraque em 2003.
Dick Cheney, ex-vice-presidente dos Estados Unidos e um dos nomes mais influentes da política americana nas últimas décadas, morreu aos 84 anos. A informação foi confirmada por sua família nesta terça-feira (4). Segundo o comunicado, ele faleceu na noite de segunda-feira em decorrência de complicações de pneumonia e de doenças cardíacas e vasculares.
Cheney foi uma das figuras mais poderosas do governo George W. Bush (2001–2009) e teve papel decisivo na política externa dos Estados Unidos durante o início dos anos 2000. Ele foi um dos principais defensores da invasão do Iraque em 2003, sob a justificativa de que o regime de Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa, informação que nunca foi comprovada.
Antes de se tornar vice-presidente, Cheney foi congressista por Wyoming e secretário de Defesa durante o governo de George H. W. Bush, além de ter ocupado diversos cargos na administração pública desde a década de 1970. Quando o então governador do Texas, George W. Bush, o escolheu como companheiro de chapa nas eleições de 2000, Cheney já era visto como um estrategista experiente e um dos políticos mais influentes de Washington.
Durante seus oito anos como vice-presidente, ele defendeu a ampliação dos poderes do Executivo, alegando que a autoridade da Presidência havia sido enfraquecida após o escândalo de Watergate. Também estruturou uma equipe de segurança nacional que operava com autonomia dentro do governo, aumentando significativamente a influência do cargo de vice-presidente.
Cheney entrou em conflito com membros importantes da administração Bush, como os secretários de Estado Colin Powell e Condoleezza Rice, e apoiou o uso de técnicas de interrogatório “aprimoradas” contra suspeitos de terrorismo, entre elas, o afogamento simulado e a privação de sono. As práticas foram posteriormente classificadas como tortura por organismos internacionais e pelo Senado americano.
Nos últimos anos, Cheney voltou a ganhar destaque ao lado de sua filha, Liz Cheney, ex-deputada republicana, que rompeu com o presidente Donald Trump após o ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Ele apoiou a decisão da filha de votar pelo impeachment de Trump e declarou publicamente que votaria na democrata Kamala Harris nas eleições de 2024.
“Nos 248 anos de história de nossa nação, nunca houve um indivíduo que fosse uma ameaça maior à nossa República do que Donald Trump”, afirmou Cheney em uma de suas últimas declarações públicas.
O ex-vice-presidente conviveu por décadas com problemas cardíacos, tendo sofrido o primeiro de uma série de infartos aos 37 anos. Em 2012, passou por um transplante de coração. Sua morte encerra a trajetória de um dos personagens mais influentes, e controversos, da política contemporânea dos Estados Unidos.