Decisão de Washington aumenta tensão e reforça pressão por investimentos na Otan.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cumprimenta o chanceler alemão, Friedrich Merz, na recepção da cúpula da paz em Gaza sediada em Sharm El-Sheik, no Egito, em outubro de 2025.
O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, afirmou neste sábado (2) que os países europeus precisam assumir maior responsabilidade por sua própria segurança, após o anúncio dos Estados Unidos de retirar cerca de 5 mil soldados do território alemão. A medida ocorre em meio a tensões diplomáticas envolvendo o presidente Donald Trump e o chanceler Friedrich Merz.
Segundo Pistorius, a decisão já era esperada e reforça a necessidade de a Europa ampliar investimentos militares e fortalecer suas próprias forças armadas. A Alemanha pretende expandir o efetivo da Bundeswehr de 185 mil para 260 mil soldados, diante do cenário de ameaças, especialmente relacionadas à Rússia.
A Otan informou que está em diálogo com os Estados Unidos para entender os detalhes da retirada. A aliança destacou que o movimento reforça o compromisso dos países europeus em aumentar os gastos com defesa e assumir maior protagonismo na segurança coletiva.
A retirada faz parte de um plano do Pentágono que prevê a saída de uma brigada completa da Alemanha e o cancelamento do envio de um batalhão de ataque de longo alcance. O processo deve ocorrer ao longo de até 12 meses e pode reduzir o contingente americano na Europa a níveis próximos aos anteriores à guerra na Ucrânia.
O anúncio também é interpretado como resposta a atritos políticos recentes entre Washington e Berlim, ampliando o debate sobre o papel dos Estados Unidos na defesa europeia e o futuro da cooperação militar no continente.