Relatório aponta possível prática desleal e levanta risco de retaliações econômicas
Os Estados Unidos voltaram a criticar o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, reacendendo tensões comerciais com o Brasil. A menção consta no relatório anual do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), divulgado no fim de março, que lista possíveis barreiras comerciais adotadas por mais de 60 países.
No documento, o Pix é citado como um sistema criado, operado e regulado pelo Banco Central do Brasil, o que, segundo autoridades americanas, poderia representar tratamento preferencial e prejudicar empresas estrangeiras do setor de pagamentos. A avaliação ocorre enquanto segue em andamento uma investigação aberta em 2025 para apurar se o modelo brasileiro configura prática desleal de mercado.
O governo brasileiro reagiu às críticas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o sistema é uma conquista nacional e não sofrerá alterações por pressão externa. A defesa do Pix também ganhou apoio internacional, como o do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que elogiou o modelo e sugeriu sua adoção em outros países.
Especialistas apontam que os Estados Unidos não têm poder para interferir diretamente no funcionamento do Pix, mas podem adotar medidas no campo comercial. Entre as possibilidades estão a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros, restrições a exportações ou até a retirada de benefícios comerciais concedidos ao país.
A investigação conduzida pelos EUA ainda não tem prazo para conclusão. Enquanto isso, o desfecho dependerá do andamento das negociações diplomáticas entre os dois países e da condução das relações comerciais bilaterais.