Ataques recentes e impasses mantêm trégua instável no Oriente Médio
A continuidade do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã segue incerta nesta quinta-feira (9), após registros de novos ataques no Golfo e no Líbano durante a trégua anunciada na terça-feira (7). O acordo previa uma pausa de duas semanas nos confrontos, mas divergências entre as partes e violações colocam em risco as negociações por um acordo definitivo de paz.
O primeiro ponto de conflito envolve o plano de dez pontos apresentado pelo Irã como base para encerrar a guerra. Inicialmente considerado viável pelos Estados Unidos, o documento foi posteriormente classificado pela Casa Branca como inaceitável. Enquanto Washington defende uma nova proposta mais enxuta, Teerã mantém o plano original como referência para as negociações.
Outro impasse central diz respeito ao programa nuclear iraniano. O Irã defende a manutenção do enriquecimento de urânio, enquanto o governo norte-americano rejeita essa possibilidade. O presidente Donald Trump afirmou que pretende eliminar completamente o material nuclear iraniano, intensificando a divergência sobre o tema, que há anos é foco de tensão internacional.
Foto: EPA
Além das divergências políticas, a trégua também é pressionada por ações militares em curso. Países do Golfo relataram ataques com mísseis e drones, enquanto o Irã denuncia ofensivas contra seu território e contra o Líbano. O cenário evidencia a fragilidade do cessar-fogo, que ocorre paralelamente às negociações previstas para começar nesta sexta-feira (10), em Islamabad, no Paquistão.
O acordo temporário também previa a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo, mas a passagem foi interrompida poucas horas após o início da trégua. A instabilidade aumenta a pressão internacional por um entendimento que encerre o conflito de forma definitiva.