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EUA deixam a Unesco pela segunda vez sob governo Trump

Decisão é criticada por entidade, que vê ação como esperada e política.

22 de Julho de 2025
Foto: Reuters / Magali Cohen

Os Estados Unidos oficializaram nesta terça-feira (22) sua saída da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), com sede em Paris. A decisão marca a segunda retirada do país da entidade sob a gestão do ex-presidente e agora novamente no cargo, Donald Trump. A justificativa do governo norte-americano é de que a permanência na Unesco “não é do interesse nacional”.

O anúncio da retirada foi antecipado pelo jornal New York Post e ocorre após outras decisões semelhantes da administração Trump, como a saída da Organização Mundial da Saúde (OMS) e a suspensão de financiamentos à ajuda internacional. Durante seu primeiro mandato, em outubro de 2017, Trump já havia retirado os EUA da Unesco, medida que foi revertida por Joe Biden em 2023. Agora, a ruptura se repete.

"A Unesco trabalha para promover causas sociais e culturais divisórias e mantém um foco desproporcional nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, uma agenda global e ideológica para o desenvolvimento internacional que está em contradição com a nossa política externa American First", afirmou a porta-voz do Departamento de Estado, Tammy Bruce, em comunicado oficial.

A decisão foi motivada, segundo o governo dos EUA, por posições consideradas anti-Israel da Unesco e pelo apoio a pautas culturais e sociais vistas como “politicamente corretas” e ideologicamente contrárias às políticas defendidas por Trump. “A decisão da Unesco de admitir o Estado da Palestina como Estado-membro é altamente problemática, contrária à política dos Estados Unidos e contribuiu para a proliferação de discursos hostis a Israel dentro da organização”, acrescentou Bruce.

Em entrevista ao New York Post, a vice-porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, reforçou a justificativa da medida: "O presidente Trump decidiu retirar os Estados Unidos da Unesco, que apoia causas culturais e sociais divisórias e politicamente corretas que estão totalmente em desacordo com as políticas sensatas pelas quais os americanos votaram em novembro".

A diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, lamentou profundamente a decisão, embora tenha reconhecido que ela já era esperada. “Por mais lamentável que seja, este anúncio era esperado e a Unesco estava preparada”, declarou nesta terça-feira.

Em comunicado interno enviado aos funcionários, a organização admitiu que a saída norte-americana terá impacto sobre suas missões, mas ressaltou que a situação será menos grave do que no passado. A Unesco também garantiu que não estão previstas demissões em função da decisão.

Após retornar à presidência, Trump já havia sinalizado a intenção de revisar a participação dos EUA em órgãos internacionais da ONU, incluindo a Unesco. Um decreto presidencial foi assinado com esse objetivo, citando “preconceito antiamericano” como justificativa para a retirada.

Atualmente, os Estados Unidos contribuem com cerca de 8% do orçamento total da Unesco, percentual significativamente inferior aos 20% de sua participação anterior, na primeira saída do país da organização.

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